Paraísos artificiais


Conto: Os sonetos negros


Paraísos Artificiais - Paulo Henriques Britto

Créditos: Prof. Manoel Neves

Narrador: Tânia, estudante de doutorado em Estudos Literários.

Personagens: Tânia, Gastão Fortes e Ercília.

Tempo: Cronológico (13 a 20 de julho). Referências culturais do início dos anos 2000.

Espaço: São Dimas, cidade onde viveu Matilde Fortes.

Técnicas usadas: Pastiche da linguagem dos estudiosos em literatura, diário.

Enredo:

Tânia faz doutorado em Literatura Brasileira no Rio de Janeiro e vai a uma pequena cidade no sul de Minas Gerais (São Dimas) em busca dos originais do livro Sonetos Negros, da poetisa local Matilde Fortes.

Atente-se que o percurso de Tânia é o inverso feito por Ivan, no conto anterior. Outro detalhe interessante e cômico é que Dimas foi ladrão que morreu ao lado de Jesus Cristo e por ter se arrependido, foi para o céu e é considerado o patrono dos ladrões.

Tal fato suscita comentários politicamente incorretos de Tânia: deve ter muitos adeptos no Brasil; mais ainda: havia uma procissão em homenagem ao santo em São Dimas e neste período não havia nenhum roubo; um pouco mais: a imagem do santo foi roubada da igreja local e depois fora devolvida sem a cruz.

Voltando à história: após chegar à cidadezinha, Tânia procura Seu Gastão Fortes, viúvo de Matilde Fortes e detentor do acervo da autora e é bem recebida pelo senhor. O laptop da pesquisadora dá alguns problemas e é consertado por um tipo índio chamado Clemenceau. Durante o período em que faz a pesquisa, Tânia almoça com Gastão e conversam sobre literatura. A estudante acaba por revelar verdadeira adoração pelo livro Sonetos Negros, publicado na década de 1930 e possuidor de forte lirismo amoroso.

Durante alguns dias Tânia faz correções textuais (erros de edição) nos poemas e isso irrita um pouco Seu Gastão. Após a morte da mulher, Gastão passara a morar sozinho com duas empregadas – uma governanta bem velha e a filha dela (cozinheira) que tinha aproximadamente 50 anos. Tânia faz correções textuais e descobre cartas muito fúteis de Matilde. Seu Gastão adoece, e aos 90 anos de idade, está à beira da morte. Tânia recebe um envelope e após desistir de encontrar os originais de Sonetos Negros, por acaso eles aparecem em suas mãos.

Ao ler alguns poemas nota que foram escritos para uma mulher e entusiasmada com sua descoberta, liga para Ercília, que cogita em incluir Matilde em uma coletânea de poesia lésbica. No entanto, após uma leitura mais calma do poemas, Tânia descobre que o autor dos poemas era Seu Gastão, que havia abdicado do sucesso e cedido a autoria dos poemas a Matilde por amor. Matilde, a poetisa feminista é uma farsa.

Ao final da narrativa, Tânia se depara com alguns dilemas: divulgar os resultados de pesquisa, indo contra a instituição que financiava seus estudos (NUELFE – Núcleo de Estudos Feministas, na medida em que desconstruiria a imagem de um dos principais ícones da poesia feminista) ou esconder a dilacerante verdade que descobrira.


Estudo dos demais contos presentes na obra Paraísos Artificiais, de Paulo Henriques Britto.


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