Paraísos artificiais


Conto: Uma visita


Paraísos Artificiais - Paulo Henriques Britto

Créditos: Prof. Manoel Neves

Narrador: narrador protagonista, não nomeado

Personagens: Locutor que está em casa indo dormir, e escuta alguém chamar pedindo que jogue a chave.

Tempo: Cronológico, mas indefinido.

Espaço: Urbano: apartamento, rua

Técnicas usadas: Protagonista levanta sucessivas hipóteses a partir de um dado do real.

Enredo:
O texto, narrado em primeira pessoa, apresenta um locutor que se prepara para dormir – já havia, inclusive, apagado a luz, e começara a desfrutar momentaneamente a satisfação do mundo do sonho –, mas que é retirado do conforto da cama por alguém que está a chamá-lo, pedindo que jogue a chave, para que possa subir ao apartamento.
 
Novamente temos um narrador-protagonista não nomeado e um título genérico, tal qual no primeiro conto.
 
O narrador, tirado da cama por uma pessoa que chama pelo seu nome e pede que ele jogue a chave. Do terceiro andar, o locutor tenta reconhecer aquela visita inesperada [a rarefação do referente é tamanha que seque o sexo do possível interlocutor é indicado] que aparenta tamanha familiaridade. Por timidez, não lhe pergunta pelo nome.

O narrador, então, imagina-se na constrangedora situação daquela pessoa que se encontrava lá embaixo: foi visitar o amigo tarde da noite e já se imagina subindo as escadas e fruindo da agradável companhia por duas horas, entretanto, ele – o amigo – permanece lá em cima, constrangido, perplexo. A visita, então, após chamar pela terceira vez, sente um peso no estômago, um incômodo. Imagina que algo terrível está acontecendo, pois ele – o provável anfitrião – está parado perto da janela e parece não estar disposto a abrir a jogar a chave, nem hoje nem nunca mais. Então, num segundo espelhamento, o visitante se imagina no lugar do amigo – de lá de cima, aguarda um gesto ou palavra que explique tudo.

O locutor afirma que seu amigo não espera mais nenhuma reação dele e, nesse instante, balança a cabeça, numa negativa que parece expressar toda sua incredulidade. Ao perceber que a imobilidade do anfitrião é voluntária, a visita decide ir-se. O fechamento da narrativa comprova, mais uma vez, que o real é apenas um desdobramento da vontade do indivíduo: E é justamente o ato de dobrar a perna direita que quebra a espécie de encantamento que nos envolvia aos dois; minha hesitação momentânea converte-se numa decisão irrevogável; é tarde demais, ele já desce a ladeira escura sem olhar para trás, com o passo firme e ligeiramente apressado dos que não pretendem voltar jamais.


Estudo dos demais contos presentes na obra Paraísos Artificiais, de Paulo Henriques Britto.


» Paraísos Artificiais - Visão Geral
» Paraísos Artificiais
» Uma doença
» Um criminoso
» O companheiro de quarto
» Coisa de família
» O 921
» O Primo
» Os Sonetos Negros


Compartilhe este site com seus amigos!

Vestibulando Web - Copyright 1999-2009. Todos os direitos reservados.
Quem Somos? | Publicidade | Política de Privacidade - Resumo Paraísos Artificiais

Ponto.Br