os Papeis do ingles

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Os Papeis do Ingles Resumo do Livro

Os Papéis do Inglês - Ruy Duarte de Carvalho

O autor

Ruy Duarte de Carvalho é português, mas passou sua infância na Angola, onde se naturalizou. Estudou cinema em Londres e posteriormente doutorou-se em antropologia. Foi Professor convidado na Universidade de Coimbra e da Universidade de São Paulo, e atualmente professor na Universidade de Luanda.

Ruy Duarte de Carvalho olha como um estranho a sua obra. Ele só fala, escreve, pinta, filma, discursa sobre o que vive. Após finalizada a obra, ele é um estranho no meio desse filme que produziu. Está à procura de um sentido para este filme, na ânsia de que alcance às expectativas de uma organização que lhe dedicou tempo e espaço. E em Duarte de Carvalho, tempo é demora e o espaço é a vastidão, como se vê pelas imagens, como se lê nos textos. Ele olha, olha-se, e é alguém que se sente aturdido nessa estranheza.

"Sou obrigado a confrontar-me com o sentido que as pessoas encontram na minha obra e nunca me tinha sido posta a necessidade de eu fazer uma leitura do percurso que fiz."

A sua produção é variada, cobrindo poesia, ficção narrativa, ensaio e cinema. Entretanto, podemos destacar:

Obra Poética:
Chão de Oferta, 1972
A Decisão da Idade, 1976
Exercícios de Crueldade, 1978
Sinais Misteriosos... Já Se Vê..., 1979
Ondula, Savana Branca, 1982
Lavra Paralela, 1987
Hábito da Terra, 1988
Memória de Tanta Guerra (Antologia Poética), 1992
Ordem de Esquecimento, 1997
Observação Direta, 2000
Lavra Reiterada, 2000

Ficção:
Os Papéis do Inglês, 2000
Como se o mundo não tivesse Leste, 1977 e 2003
Paisagens Propícias e Desmedida (2006)
Actas da Maianga – Dizer da(s) guerra(s) em Angola, 2003

Além da atividade literária, realizou as longas-metragens Nelisita: narrativas Nyaneka (1982) e Moia: o recado das ilhas (1989).

O livro

Editado em 2000 pela Editora Cotovia, a publicação de Os papéis do inglês abre ao leitor brasileiro a possibilidade de entrar em contato com a primeira narrativa longa em que o autor investe efetivamente no domínio da ficção. Antes, dedicou-se a uma extensa produção poética, além de uma coletânea de contos intitulada "Como se o mundo não tivesse leste" e o "Vou lá visitar pastores", fortemente marcado pela dimensão ensaística.

Embora tenha um caráter literário predominantemente narrativo, deve-se pensar que, em se tratando de obra de Ruy Duarte de Carvalho, diferenciações como esta são relativas, uma vez que há em sua escrita uma característica própria de causar indistinção dos gêneros. Diante do rigor, da capacidade de invenção, a conseqüência deste estilo é uma obra densa e diversificada.

Este romance - Os Papéis do Inglês -, publicado em 2000, foi uma forma encontrada pelo autor para denunciar a inutilidade de uma classificação de gênero para uma poética que persegue, ancorada num mesmo terreno, e mantendo relações entre palavra e experiência numa forma de registrar que envolve poesia, relato, ensaio e ficção. E justamente esta mobilidade discursiva que tem orientado a escrita e reedição desta obra, mantendo sempre uma profunda coerência.

No livro "Desmedida", lançado em 2006, o autor naturalizado angolano parecia abordar a crônica num espaço aparentemente estranho a Angola. Seguindo este estilo, no livro "Os Papéis de Inglês" o autor partilha a mesma obsessiva procura de uma "autocolocação" que o próprio tem vindo a afirmar como determinante.

Em Os papéis do Inglês, encontra-se, por exemplo, uma escrita marcada pela incorporação de diversas linguagens, misturando-se Literatura, Antropologia e História.

Assim como na obra "Vou lá visitar pastores", o autor faz uso de um procedimento romanesco semelhante - escrever a alguém -, extrapolando prosa a um relato dirigido. A narrativa é suportada por uma narrativa densa, cheia de referências, observações e reflexões pessoais:

"Cada um de nós, aqui ao fim destes anos de perplexidade constante, transporta para onde vai as marcas do exercício pessoal da sua sobrevivência."

A obra se passa em primeira pessoa, abordando uma história de violência, paixão e ganância.  Tem-se a impressão de que o autor se usou de uma estória angolana para redigir Os Papéis de Inglês, descrita no interior de um país em crise constante, com personagens vivendo e consumindo como se fosse o último dia das suas vidas.

A prosa se presta à exploração da riqueza vocabular do português angolano, discutindo não somente os limites do homem num ambiente hostil, mas também as possibilidades da linguagem ficcional.  E justamente esta linguagem ficcional que parece redimir as desilusões do professor universitário que viajou para a África com o objetivo de investigar o suicídio do caçador de elefantes.

Resumo

Nesta obra o autor cria um relato dirigido a uma "destinatária que se insinua e instala no texto". Conta-lhe a história de um personagem conradiano, um caçador inglês que depois de matar um companheiro de profissão grego às margens do rio Kwando, na fronteira com a atual Zâmbia, em 1923, e de se entregar às autoridades portuguesas que não lhe dão ouvidos, volta ao acampamento e abate a tiro tudo o que vê pela frente terminando por disparar a arma contra o próprio peito.

Uma ficção hesitante que informada pela antropologia, preza o princípio de que "mais que o achado vale sempre a busca". Assim como nas obras anteriores, é marca por observações e reflexões, mas desta vez, são e-mails que servem de suporte à narrativa

Por esse mesmo princípio, o caminho só se dá a ver pelo acúmulo e pela sobreposição de histórias nos interstícios e contigüidades. O que ocorre então é uma narrativa em "permanente suspeita perante si mesma", a questionar-se, interrompendo-se para revelar, por um processo análogo ao relativismo antropológico.

Fonte parcial: Bernardo Carvalho, no jornal Folha de São Paulo

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