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Alunos ficam sem bibliotecas e secretarias


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Apesar de expansão, alunos de cursos noturnos da UFBA ficam sem bibliotecas e secretarias

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Atualizada em: 09/04/2011

Os alunos da UFBA (Universidade Federal da Bahia) que estudam à noite têm passado por uma situação no mínimo peculiar: eles reclamam que, enquanto as salas de aula ficam abertas, bibliotecas, lanchonetes e o serviço burocrático e administrativo ficam fechados. Esses cursos noturnos foram os que mais cresceram no âmbito do programa de expansão das universidades federais, o Reuni. Em três anos, o número de graduações subiu de um para 33.


- Cursos surgidos por causa do Reuni podem criar problema na oferta de vagas da UFBA


“A não ser as próprias aulas, todo o resto do funcionamento da universidade ainda não foi adaptado à dinâmica da noite. Os serviços administrativos e todo o expediente burocrático não funcionam à noite, assim como algumas bibliotecas e lanchonetes. Isso sem falar do problema crônico da segurança e da falta de vagas para estacionamento.”, diz Marcelo Leite, integrante do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e aluno do sétimo semestre de história na UFBA.

Matriculado em um BI (bacharelado interdisciplinar) na área de humanidades, Roberto Vieira, 22, disse que depois das 19h30 é “muito difícil encontrar qualquer coisa funcionando na UFBa, com exceção das salas de aula.” “No mês passado, por exemplo, precisei de dois livros e não consegui retirá-los simplesmente porque a biblioteca estava fechada. Tive de sair mais cedo do trabalho no dia seguinte para pegar as obras”, afirmou.

De acordo com a UFBA, 3,5 mil alunos estudam no noturno nos três campi que a instituição mantém no Estado (Salvador, Vitória da Conquista e Barreiras) e cerca de 25 mil, no diurno. Além do aumento do número de cursos noturnos, entre 2007 e o ano passado a universidade registrou um índice ainda maior em relação às vagas oferecidas à noite, que pularam de 70 para 2.610.


Obras

A UFBA diz que, desde que começaram a ser implantados os cursos noturnos, há obras em todas as unidades. A reitora Dora Leal afirma que, para atender toda a demanda provocada pelo aumento de vagas, a UFBA está investindo na construção de novos prédios, reformando salas de aula e melhorando a infraestrutura de todas as suas unidades, principalmente nos setores de iluminação e segurança. Apesar disso, somente quando os trabalhos forem concluídos é que será possível amenizar a situação.

A área construída nos três campi efetivamente cresceu na vigência do Reuni -passou de 285.413 para 373.651 metros quadrados, uma expansão de 30,9%. Dos cerca de 50 itens contemplados no relatório do programa, apenas dois apresentaram variação negativa durante o período: ações extensionistas (de 934 para 647) e número de bibliotecas (de 35 para 11).

A reitora admite que a expansão veio acompanhada de problemas. “Muitas licitações foram feitas, mas algumas empresas pediram o distrato porque não conseguem cumprir o contrato e não têm capital de giro para executar os trabalhos”, afirma. Como exemplo, ela citou a paralisação dos serviços que estavam sendo executados na Escola de Música. “A empresa simplesmente abandonou os trabalhos e tivemos de fazer outra licitação.”


Verticalização

Representante dos docentes no Conselho Universitário e candidato a reitor na última eleição, o professor João Augusto de Lima Rocha classificou o Reuni “como uma iniciativa muito importante para a ampliação das vagas na UFBA”. No entanto, ele diz, os estudantes convivem com instalações deterioradas e precárias, além de unidades sobrecarregadas.

“Acho que somente a verticalização dos novos prédios pode dar mais conforto para estudantes, funcionários e servidores”, afirma João Rocha. “Prédios de quatro andares, como os que estão sendo construídos, não vão resolver o problema.”

Fonte: Uol

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