- ESCOLA FEDERAL DE ENGENHARIA DE ITAJUB� - EFEI -
- PROVA DE HIST�RIA - VESTIBULAR 2000 -

1. "DE CRUDELITATE ET PIETATE; ET AN SIT SIT MELIUS AMARI QUAM TIMERE, AN CONTRA"- Da crueldade e da piedade; � melhor ser amado que temido, ou o inverso? Nicolau Maquiavel ( 1469 – 1527 ) escritor italiano, em seu livro "O Pr�ncipe", separa a pol�tica da �tica e diz que � prefer�vel ao governante ser temido do que amado. A partir de Maquiavel, o governo absoluto passou a ser defendido por v�rios pensadores. Aparentemente Maquiavel � um "c�nico", por�m sua vis�o � antes realista que c�nica, pois para centralizar o poder controlando a nobreza, desenvolvendo a economia e tornando rico o Estado, assim � que deveria agir o governante. Como � conhecida esta forma de governo que se inicia no decorrer do s�culo XVI e estende-se at� o final do s�culo XVIII na Europa Ocidental?

    Resposta: Da centraliza��o mon�rquica ao Absolutismo.

2. O ano 2000 traz em si todo um mundo m�gico que envolve as popula��es do mundo ocidental. H�, em quase todas as cidades brasileiras de m�dio e grande porte, rel�gios marcando os dias que faltam para a chegada do ano 2000. De uma certa forma � como estar revivendo o imagin�rio do ano 1500 na Europa Ocidental, na expectativa de um novo tempo.

2.1 Em termos comerciais, houve um deslocamento do eixo econ�mico. Onde se situava o antigo eixo econ�mico-comercial e para onde se deslocou a partir de 1500 ?

      Resposta: Antes o eixo econ�mico estava no Mar Mediterr�neo e deslocou-se para o oceano Atl�ntico.

2.2 Com rela��o aos efeitos da expans�o mar�tima ocorrida no final do s�culo XV, d� pelo menos dois resultados econ�micos.

    Resposta: O fortalecimento dos Estados Nacionais europeus; o desenvolvimento do  tr�fico escravista da �frica para a Am�rica; o exterm�nio dos ind�genas americanos; a europeiza��o das �reas conquistadas.

3. Observe o fluxograma acima. Para o capitalismo tornar-se o sistema preponderante no ocidente, tornou-se necess�rio um per�odo de transi��o entre ele ( capitalismo ) e o sistema feudal. Esse per�odo de transi��o ficou conhecido como "acumula��o primitiva de capital". Foram v�rios os mecanismos utilizados para a acumula��o em diversas �reas de produ��o : na agricultura, houve os cercamentos   ( enclausure) dos campos, acabando com a propriedade comunal e expulsando os camponeses; no com�rcio, houve saques, pirataria, tr�fico de escravos e o "exclusivo" comercial sobre as col�nias rec�m – descobertas; na �rea industrial uma invers�o progressiva do capital mercantil na produ��o manufatureira.

3.1 O processo de acumula��o foi violento, expropriativo e destruidor. Contra quem voltou-se tanta viol�ncia ?

      Resposta: Contra os �ndios americanos, contra os escravos africanos, contra camponeses expropriados de suas terras e instrumentos de trabalho.

3.2 Embora ainda em transi��o, que novos componentes capitalistas foram introduzidos na produ��o manufatureira?

    Resposta: Uma pequena divis�o do trabalho e o pagamento em dinheiro para os sal�rios.

4. Leia, abaixo, o texto escrito pelo professor Luiz Roberto Lopez e, a seguir, responda as quest�es propostas:

    "H� casos em que a compara��o � um instrumento hist�rico de escamotea��o ideol�gica. Um desses casos � aquele em que se estabelece um paralelo entre a conquista da Am�rica do Norte pelos ingleses e da Am�rica Latina pelos espanh�is. O paralelo � apresentado nos seguintes termos: enquanto que na Am�rica Latina a conquista precedeu a coloniza��o, na Am�rica do Norte se deu o oposto. Aqui, um punhado de aventureiros �vidos e corajosos, entre 1519 e 1550, devassou um continente, antes que a metr�pole plantasse uma estrutura colonial. L�, tudo se iniciou com um grupo de pioneiros que, fugindo dos credores e da intoler�ncia religiosa, buscavam uma nova terra e um novo lar.

    Essa diferen�a seria a causa mais profunda do diferente desenvolvimento das duas Am�ricas [ ...] h�, por�m, outros fatores em jogo. Em primeiro lugar, na Am�rica do Norte n�o foram encontrados de in�cio ouro e especiarias [ ...] da� resultou o fato de que l� surgiram col�nias de povoamento, ao contr�rio da Am�rica Latina, onde se formaram col�nias de explora��o [ ...] o fundamental na quest�o do paralelo entre as duas formas de ocupa��o das Am�ricas � perceber o quanto ele tem servido para camuflar uma realidade mais profunda, a da domina��o de uma Am�rica sobre a outra."

4.1 Que argumentos s�o usados no jogo de "escamotea��o ideol�gica" que o autor sugere e de que voc� tem conhecimento ?

      Resposta: Os ingleses se fixaram na Am�rica com objetivos mais profundos, como povoar e encontrar um lar, e os espanh�is e �ndios deram origem a uma popula��o indolente, gerando o atraso dos pa�ses ib�ricos frente �s regi�es inglesas.

4.2 Nos dois casos, tanto na Am�rica Latina como na Am�rica do Norte, o que aconteceu de comum �s popula��es ind�genas ?

    Resposta: O exterm�nio da popula��o ind�gena foi igual, nos dois casos.

5. A empresa a�ucareira montada no Brasil a partir de 1530, obedeceu ao pressuposto de estar fundamentada na lavoura extensiva ( latif�ndio ), na explora��o de um �nico produto ( monocultura ) e na m�o-de-obra escrava. O enorme sucesso do a��car brasileiro at� a Uni�o Ib�rica (1580 – 1640) deveu-se aos seguintes fatores: experi�ncia portuguesa com o a��car nas ilhas do Atl�ntico, grande aceita��o do produto na Europa, qualidade do solo e condi��es clim�ticas e, por �ltimo, por�m de fundamental import�ncia, a participa��o dos holandeses no financiamento e distribui��o do produto.

5.1 Com a Uni�o Ib�rica e a proibi��o imposta aos comerciantes holandeses pelo governo espanhol de se envolverem com o a��car brasileiro, que medidas foram tomadas pelas Companhias das �ndias Ocidentais (holandesas) com rela��o � continuidade de seu com�rcio?

      Resposta: Invadiram as �reas produtoras de a��car, no Brasil: Bahia e Pernambuco e, expulsos, em 1654, passaram a produzir a��car nas Antilhas.

5.2 Com a crise ou decad�ncia da atividade a�ucareira, que outra atividade foi incentivada pela Coroa Portuguesa, em busca de novos lucros ?

    Resposta: O movimento bandeirante, em busca de metais e pedras preciosos no interior do territ�rio brasileiro.

6. "Na defesa de suas posi��es, os jesu�tas chocaram-se, freq�entemente, com os colonizadores j� a partir do s�culo XVI, principalmente quando estes utilizavam artif�cios para escravizar os ind�genas. � err�neo apresent�-los portanto como mero bra�o utilizado pelo Estado ou acobertadores de interesses privados. Tinham seus pr�prios fins, nem sempre compat�veis com os demais."

O texto acima foi retirado do livro "Forma��o do Brasil Colonial", de Arno e Maria Jos� Wehling. Ap�s sua leitura, descreva a a��o da Igreja e, em particular, o papel dos jesu�tas dentro do quadro geral do Brasil col�nia.

7. No final do s�culo XVIII, na regi�o das Minas Gerais havia acabado o ouro de aluvi�o – aquele que era encontrado � flor da terra. O processo de minera��o havia se tornado extremamente caro e dif�cil e, al�m disso, todo ouro retirado n�o conseguia tornar a regi�o rica ou formar um m�nimo de capital acumulado que permitisse o desenvolvimento.

7.1 Para onde foi drenado o ouro do Brasil, que n�o enriquecia brasileiros e nem portugueses, durante todo o s�culo XVIII ?

      Resposta: O ouro do Brasil vai para Portugal e da� vai para a Inglaterra em pagamento de importados manufaturados.

7.2 Que rela��o existe entre tal sa�da de ouro e a revolu��o industrial inglesa, durante o s�culo XVIII e in�cio do s�culo XIX ?

    Resposta: O ouro do Brasil servia para o enriquecimento e acumula��o de capitais na Inglaterra, drenado atrav�s de tratados comerciais ( verdadeiros exclusivos ) expropriativos, o que permitiu � Inglaterra o ac�mulo de capital que propiciou a forma��o do chamado "capital monopolista" ou financeiro, que pode ser aplicado na ind�stria, no com�rcio e na forma��o de bancos.

8. A Guerra de Canudos ( 1893 – 1897 ) e a Quest�o do Contestado ( 1912 – 1916 ) foram movimentos que ocorreram no Brasil durante o final do s�culo XIX e o in�cio do s�culo XX, um no nordeste ( Canudos ), outro no sul ( Contestado ) e ambos atrelados �s mesmas ra�zes s�cio-econ�micas e influenciados por id�ias religiosas. Identifique essas ra�zes e influ�ncias religiosas.

    Resposta: A implanta��o da Rep�blica no Brasil ( 1889 ) n�o modificou a situa��o dos trabalhadores rurais. A concentra��o de terras nas m�os de uma minoria mantinha a mis�ria e a submiss�o da massa rural. Os longos per�odos de seca ( nordeste ) e a destrui��o das matas pelas serrarias ( sul ) agravaram a situa��o. A influ�ncia das id�ias religiosas contribu�ram para o aparecimento de movimentos ou de l�deres m�sticos, como, em Canudos, um Antonio Conselheiro e, no Contestado, um Jo�o ( ressurreto) "santo" e m�stico. Prometendo um lugar ou cidade dos santos, reuniram os desvalidos, sendo combatidos pelo governo republicano como "fan�ticos restauradores da monarquia" e bandidos.

9. O per�odo que se estende de 1930 a 1945 � geralmente conhecido no Brasil, como "Era Vargas". Esse per�odo teve in�cio com a "Revolu��o de 30" e seu t�rmino ocorreu com a "derrubada" do presidente Get�lio Vargas ao final da Segunda Grande Guerra . Com rela��o �s quest�es sociais, que medidas foram tomadas por Get�lio Vargas atendendo �s reivindica��es dos trabalhadores, tornando-o conhecido como o verdadeiro "pai dos trabalhadores brasileiros"?

    Resposta: A CLT ( Consolida��o das Leis do Trabalho ), o Minist�rio do Trabalho, a "Lei dos dois Ter�os" ou nacionaliza��o do trabalho, a regulamenta��o do trabalho feminino e do trabalho infantil, a obrigatoriedade do uso da Carteira Profissional e a dura��o da jornada de trabalho, descanso remunerado e f�rias, a Assist�ncia e Previd�ncia Social, etc.

10. "Ap�s a Segunda Grande Guerra, o mundo assistiu a um vertiginoso incremento da produtividade, [ ...] gra�as em grande parte � espantosa explos�o de teoria e pr�tica da informa��o, novos avan�os cient�ficos foram se traduzindo, em espa�os de tempo cada vez menores, numa tecnologia que n�o exigia qualquer compreens�o dos usu�rios finais. O resultado ideal era um conjunto de bot�es ou teclado inteiramente � prova de erro, que requeria apenas apertar-se no lugar certo para ativar um procedimento que se movimentava, se corrigia e, at� onde poss�vel, tomava decis�es, sem exigir maiores contribui��es das qualifica��es e intelig�ncia limitadas e inconfi�veis do ser humano m�dio". O historiador Eric Hobsbawm prev�, no texto acima, o predom�nio da tecnologia sobre o trabalhador urbano. Que rela��o existe entre o desenvolvimento tecnol�gico atual e o aumento do "desemprego estrutural" ?

    Resposta: A globaliza��o da economia provocou um efeito extremamente perverso, entre outros, o aumento do desemprego estrutural, entendido por ocorrer n�o pelo aparecimento de uma crise passageira do sistema econ�mico, por�m por ser uma caracter�stica da pr�pria contradi��o do sistema econ�mico capitalista. As empresas transnacionais para vencerem a concorr�ncia, incentivam o desenvolvimento tecnol�gico e o aplicam � produ��o, com o objetivo de eliminar gastos com m�o-de-obra e aumentar a produtividade e a qualidade; em suma, a moderniza��o dispensa um grande n�mero de trabalhadores n�o qualificados, garantindo a perman�ncia de um pequeno n�mero de trabalhadores qualificados

11. Com a intensifica��o da globaliza��o econ�mica, a d�cada de 1980 assistiu ao triunfo do neoliberalismo e � decad�ncia das pol�ticas orientadas para o "Welfare State". Podemos considerar como iniciadores do modelo neoliberal os governos Ronald Reagan e de Margareth Tatcher. No Brasil, essa pol�tica teve impulso com Fernando Collor e continuidade com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Defina o papel do Estado neoliberal.

    Resposta: O neoliberalismo n�o busca o fim da interfer�ncia do Estado na economia, o que o diferencia do liberalismo cl�ssico. O Estado n�o pode colocar obst�culos � livre circula��o de produtos, riquezas, capitais e rendas; al�m disso, n�o pode defender direitos sociais que interfiram na liberdade acima descrita. O papel do Estado � o de subsidiar e estimular investimentos em pesquisa e tecnologia de ponta, que favore�am o processo de oligopoliza��o.

12. Os anos 1920 viram o aparecimento do Movimento Modernista no Brasil, que atingiu as artes e renovou a arquitetura brasileira. � chamada "primeira gera��o modernista" o grupo composto por M�rio e Oswald de Andrade, Lasar Segall, Brecheret, Vicente do Rego Monteiro, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Portinari, Guignard, Ismael Neri, C�cero Dias e Bruno Giorgi.

12.1 Como ficou conhecida a primeira apresenta��o p�blica do movimento modernista em S�o Paulo ?

      Resposta: Semana de Arte Moderna de 22 ( 1922 ).

12.2 O desenvolvimento da arquitetura s� tornou-se poss�vel gra�as ao Estado e, em especial, o Estado Ditatorial, que introduziu a nova arquitetura no pa�s. O primeiro marco da nova arquitetura foi o edif�cio do Minist�rio da Educa��o e Sa�de, no Rio de Janeiro, projetado por L�cio Costa. Quem foi o arquiteto, companheiro de L�cio Costa, escolhido por Juscelino Kubitschek para projetar Bras�lia ?

Resposta: Oscar Niemayer.