- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS - UFMG -
- PROVA DE HIST�RIA - VESTIBULAR 2001 -

01) No amplo conjunto de transforma��es ligadas ao advento do mundo moderno, destaca-se um fen�meno que pode ser chamado Revolu��o Cient�fica. Tal processo, relacionado ao trabalho de homens como Kepler, Cop�rnico e Newton, entre outros, levou a profundas mudan�as nas concep��es acerca da constru��o do saber. Considerando-se as condi��es que tornaram poss�vel o advento da Revolu��o Cient�fica, � CORRETO afirmar que
a) a renova��o da ci�ncia foi estimulada pela queda do absolutismo russo, que
abriu a Europa Oriental ao contato com o Ocidente.
b) as descobertas da ci�ncia moderna se tornaram vi�veis a partir de uma postura
de completo rompimento com o passado.
c) o trabalho dos cientistas foi facilitado pelo processo de crescimento da influ�ncia
exercida pela Igreja Cat�lica.
d) os avan�os cient�ficos foram estimulados pelas tend�ncias humanista e
racionalista emergentes na �poca.

02) O s�culo XVII � decisivo na hist�ria da Inglaterra. � a �poca em que a Idade M�dia chega ao fim.
HILL, Christopher. O eleito de Deus. S�o Paulo: Companhia das Letras, 1988. p. 13.

Considerando-se que o marco tradicional do final da Idade M�dia � o s�culo XV, tal afirma��o sobre esse per�odo da hist�ria inglesa justifica-se em raz�o da
a) derrota da Igreja Cat�lica, com a ascens�o do anglicanismo e sua ado��o como
religi�o oficial do Estado.
b) instaura��o da rep�blica liberal e presidencialista, que se consolidou no poder,
apesar da oposi��o mon�rquica.
c) unifica��o da Inglaterra que, sob um monarca absoluto, superou a fragmenta��o
pol�tica feudal.
d) vit�ria da Revolu��o Inglesa, que aboliu direitos feudais e submeteu o rei ao
poder do Parlamento.

03) Leia estes trechos de documentos relacionados ao Brasil Colonial, atentando para os processos hist�ricos a que se referem:
I -
... a grande const�ncia de outros, desprezando as inclem�ncias do tempo, desatendendo ao trabalho das marchas, vencendo os desc�modos da vida, e perdendo o temor aos assaltos, continuavam a cortar bosques, a abrir caminhos, a penetrar sert�es, a combater com o gentio b�rbaro, fazendo a muitos e algumas mulheres prisioneiros...
II - ... quem vir na escurid�o da noite aquelas fornalhas tremendas, perpetuamente ardentes; as labaredas que est�o saindo a borbot�es de cada uma pelas duas bocas, ou ventas, por onde respiram o inc�ndio; os et�opes, ou c�clopes, banhados em suor t�o negros como robustos que subministram a grossa e dura mat�ria ao fogo [...] n�o poder� duvidar, ainda que tenha visto Etnas e Ves�vios, que � uma semelhan�a de inferno.
III - Ali ignora-se o uso da verruma, o m�todo de conhecer o interior e as diversas camadas de terras: as ci�ncias naturais, a mineralogia, a qu�mica, o conhecimento da mec�nica, das leis do movimento e da gravidade dos corpos, tudo est� ali muito na sua inf�ncia; das m�quinas hidr�ulicas apenas se conhece ainda muito
imperfeita, a que, pela sua figura e constru��o, chamam ros�rio...
IV - ... o conde enriqueceu e ornou com edif�cios vilas e cidades. Construiu pontes e pal�cios para utilidade e beleza. Erigiu, em parte por sua munific�ncia, um templo para a piedade e para o servi�o divino. Teve consigo e favoreceu, na paz e na guerra, os mais eminentes artistas [...] para que eles mostrassem, vencidos, [...]
os lugares, as terras e as cidades que ele pr�prio vencesse.

Os trechos I, II, III e IV fazem refer�ncia, respectivamente,
a) � a��o dos quilombolas, aos motins coloniais, �s atividades agr�colas ind�genas
e � constru��o da cidade de Salvador.
b) � pecu�ria, ao batuque dos negros, � arte naval portuguesa e � transfer�ncia da
Corte portuguesa para o Rio de Janeiro.
c) ao bandeirantismo, aos engenhos de a��car, �s t�cnicas de minera��o e �
presen�a holandesa no nordeste a�ucareiro.
d) ao tr�fico negreiro, aos rituais ind�genas, �s moendas de a��car e � urbaniza��o
das vilas das Minas Gerais.

04) Leia este trecho de documento:
Mando que todos e quaisquer naturais ou moradores dos meus reinos e
dom�nios de qualquer estado, sexo ou condi��o que seja que (na boa f� de que se trata somente de espiritualidade) se acharem ou incorporados na dita companhia chamada de Jesus ou nela professar ou associar a alguma confraria que haja sido estabelecida debaixo da dire��o da mesma companhia, sejam obrigados debaixo de penas a se manifestarem aos ju�zes e magistrados, depois dos quais ser�o as penas irremissivelmente neles executadas.
Pal�cio de Nossa Senhora D�Ajuda, 28 de agosto de 1767.

Esse trecho faz refer�ncia � conjuntura da
a) expuls�o dos jesu�tas das col�nias portuguesas, em raz�o da pol�tica do Reino
de reafirmar a subordina��o da Igreja ao Estado.
b) guerra entre Portugal e Fran�a, devido ao avan�o das id�ias defendidas pelos
huguenotes nos reinos portugueses.
c) proibi��o da presen�a de ordens religiosas regulares nos pa�ses ib�ricos,
determinada pela bula papal Animarum Saluti.
d) visita��o do Santo Of�cio aos dom�nios ultramarinos de Portugal, em busca de
hereges, integrantes de confrarias e irmandades.

05) Considerando-se a forma��o dos Estados nacionais na Am�rica Latina, � CORRETO afirmar que
a) as ilhas caribenhas de coloniza��o espanhola, seguindo o exemplo do Continente,
se emanciparam da Metr�pole nas primeiras d�cadas do s�culo XIX.
b) os Estados emergentes mantiveram as fronteiras que separavam os Vice-Reinos
e as Capitanias-Gerais, unidades administrativas do Imp�rio Espanhol.
c) os novos Estados adotaram a rep�blica, com exce��o do M�xico e do Haiti,
com suas breves experi�ncias mon�rquicas, e do Brasil.
d) os novos Estados se consolidaram lentamente, superando numerosos
obst�culos, mas mantendo a ordem pol�tica e a unidade nacional.

06) A organiza��o do sistema pol�tico foi objeto de discuss�es e conflitos ao longo do per�odo imperial no Brasil. Com rela��o ao contexto hist�rico do Brasil Imperial e aos problemas a ele relacionados, � CORRETO afirmar que
a) a centraliza��o do poder foi objeto de s�rias disputas ao longo de todo o s�culo
XIX e explica v�rias contendas internas �s elites imperiais, como a Rebeli�o Praieira.
b) o Constitucionalismo ganhou for�a, fazendo com que o Legislativo, o Executivo
e o Judici�rio se tornassem independentes e harm�nicos, o que atendia �s queixas dos rebeldes da Balaiada.
c) o Federalismo de inspira��o francesa e jacobina foi uma das principais bandeiras
do Partido Liberal, a partir da publica��o do Manifesto Republicano, o que explica, entre outras, a Revolu��o Liberal de 1842.
d) os movimentos de contesta��o armada � como a Revolu��o Farroupilha, a
Sabinada ou a Cabanagem � tinham em comum a cr�tica liberal �s tend�ncias absolutistas, persistentes no governo de D. Pedro II.

07) Considerando-se as rela��es entre a Am�rica Latina e os Estados Unidos a partir de meados do s�culo XIX, � CORRETO afirmar que
a) a abertura do canal no estreito do Panam� possibilitou o desenvolvimento de
rela��es comerciais equilibradas entre as Am�ricas.
b) a consolida��o dos Estados antilhanos e centro-americanos viabilizou o apoio
constante do Governo norte-americano �s democracias dessa regi�o.
c) a derrota do M�xico, na guerra com os Estados Unidos, significou a perda de quase metade do territ�rio mexicano para este pa�s.
d) a pol�tica do big stick, implementada pelo Presidente Theodore Roosevelt, visava estreitar o di�logo diplom�tico entre os pa�ses americanos.

08) Revolta da Vacina � o nome pelo qual ficou conhecido o conjunto de manifesta��es populares ocorridas, no Rio de Janeiro, no in�cio do s�culo XX, em oposi��o � lei de vacina��o obrigat�ria contra a var�ola. Os conflitos, ocorridos a partir de novembro de 1904, tinham como um dos principais pontos de tens�o a oposi��o entre alguns interesses de diferentes setores da popula��o e as pol�ticas p�blicas que se implementavam no alvorecer da Rep�blica no Brasil.
Considerando-se esse movimento, � CORRETO afirmar que os revoltosos
a) almejavam a restaura��o da Monarquia, que, embora aristocr�tica em suas
bases, n�o havia chegado, ao longo do s�culo XIX, a t�o exacerbado ato de autoritarismo.
b) lutavam contra o progresso que, segundo o entendimento da �poca,
inevitavelmente acentuaria o processo de exclus�o social j� vigente na Primeira Rep�blica.
c) pretendiam a deposi��o do Presidente da Rep�blica, membro da oligarquia
paulista e autor da medida autorit�ria que implementou a vacina��o obrigat�ria em todo o Pa�s.
d) sustentavam a necessidade de se resguardarem aspectos da vida privada e da
moralidade da popula��o, que julgavam amea�ados pela pol�tica de Sa�de P�blica.

09) Da liberta��o do nosso esp�rito, sair� a arte vitoriosa. E os primeiros an�ncios da nossa esperan�a s�o os que oferecemos aqui � vossa curiosidade. S�o estas pinturas extravagantes, estas esculturas absurdas, esta m�sica alucinada, esta poesia a�rea e desarticulada. Maravilhosa aurora!
Com essas palavras, o escritor Gra�a Aranha abriu as atividades da Semana de
Arte Moderna, realizadas no Teatro Municipal de S�o Paulo, entre 13 e 17 de fevereiro de 1922. Um dos objetivos dos promotores desse evento era
a) escandalizar a sociedade, considerada retr�grada, reunindo um conjunto de
obras e artistas inovadores.
b) lan�ar as bases de uma produ��o art�stica em moldes acad�micos, pois, no
Brasil, se valorizava tradicionalmente a produ��o cultural popular.
c) tornar a arte e os produtos culturais mais pr�ximos dos oper�rios, com quem os
artistas radicais se identificavam.
d) trazer ao Pa�s uma amostra das vanguardas europ�ias, mediante a apresenta��o
de obras de artistas estrangeiros.

10)
     Em 1934, Get�lio Vargas criou o Departamento de Propaganda e Difus�o
Cultural junto ao Minist�rio da Justi�a, esvaziando o Minist�rio da Educa��o n�o s� da propaganda, mas tamb�m do r�dio e do cinema. A decis�o tinha como objetivo colocar os meios de comunica��o de massa a servi�o direto do poder executivo, iniciativa que tinha inspira��o direta no rec�m-criado Minist�rio da propaganda alem�o. Este foi o embri�o do DIP [...]
    
Em 1939, as atribui��es do extinto Departamento de Propaganda e Difus�o Cultural passaram para o Departamento de Imprensa e Propaganda, criado
nesse ano.
CAPELATO, Maria Helena. Propaganda Pol�tica e Controle dos Meios de Comunica��o.In:
PANDOLFI, Dulce. (Org.). Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 1999. p.172.

Com base nessas informa��es, � CORRETO afirmar que, durante o Estado Novo, o Departamento de Imprensa e Propaganda-DIP foi respons�vel pela
a) amplia��o do raio de atua��o do Estado e das suas formas de interven��o no
�mbito da cultura.
b) desativa��o do sistema de comunica��o encarregado da difus�o das diretrizes
econ�micas do regime.
c) restri��o � utiliza��o do r�dio e da imprensa para a difus�o da propaganda
pol�tica estado-novista.
d) utiliza��o da cultura como um instrumento a servi�o da divulga��o dos ideais
democr�ticos.

11) Considerando-se as rela��es internacionais com Cuba ap�s a vit�ria da Revolu��o, em 1959, � CORRETO afirmar que
a) o Governo norte-americano estabeleceu, progressivamente, retalia��es pol�ticas
e econ�micas ao regime socialista cubano, acabando por romper rela��es diplom�ticas com a Ilha.
b) o Governo sovi�tico, envolvido com os problemas econ�micos e pol�ticos internos,
n�o forneceu aos cubanos o apoio necess�rio para sustentar o regime socialista.
c) o regime revolucion�rio cubano contou com o apoio da maioria dos pa�ses da
Am�rica Latina, numa fase em que o Continente presenciava a ascens�o de governos nacionalistas.
d) os governos socialdemocratas europeus apoiaram firmemente o novo regime
cubano, com o objetivo de contrabalan�ar o papel hegem�nico dos Estados Unidos nas Am�ricas.

12) A radicaliza��o pol�tica dos anos 60, antecipada por contingentes menores de dissidentes culturais e marginalizados sob v�rios r�tulos, foi dessa gente jovem, que rejeitava o status de crian�as e mesmo de adolescentes (ou seja, adultos ainda n�o inteiramente amadurecidos), negando ao mesmo tempo humanidade plena a qualquer gera��o acima dos trinta anos de idade, com exce��o do guru ocasional.
HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve s�culo XX (1914-1991).
S�o Paulo: Companhia das Letras, 1995. p.318.

A "cultura jovem" e as rebeli�es juvenis dos anos 60 deste s�culo caracterizaram-se por
a) criticar, de forma aguda, as velhas gera��es, sob a acusa��o de terem
abandonado o respeito �s tradi��es.
b) enrijecer as estruturas do ensino universit�rio, � medida que estimularam a
uni�o dos conservadores.
c) provocar mudan�as nos comportamentos e valores das sociedades ocidentais,
notadamente no terreno da sexualidade.
d) recusar a a��o pol�tica como meio para atingir as transforma��es, na convic��o
de que o futuro traria solu��es.

13) A partir de 1966, Mao Tse-Tung promoveu uma "revolu��o dentro da revolu��o", que ficou conhecida como Revolu��o Cultural. Essa Revolu��o notabilizou-se por
a) favorecer a ascens�o de Deng Xiaoping, que assumiu a lideran�a da nova revolu��o
e a dire��o das atividades dos grupos mais radicais.
b) flexibilizar as teses pol�ticas de Mao Tse-Tung, que passou a contar com o
apoio dos Guardas Vermelhos, orientados para fortalecer o poder do Partido Comunista.
c) fortalecer o culto � personalidade de Mao Tse-Tung, transformado em autoridade
absoluta com a ajuda do Livro Vermelho, que difundia suas teses revolucion�rias.
d) inspirar um movimento de preserva��o do patrim�nio cultural chin�s, que protegeu
pinturas, obras de caligrafia, museus, pal�cios, templos e t�mulos antigos.

14) Observe este quadro:

Estado Acampamentos %
PA 10 2,0
TO 7 1,4
RO 8 1,6
AL 31 6,2
BA 39 7,8
CE 3 0,6
MA 13 2,6
PB 13 2,6
PE 133 26,5
PI 7 1,4
RN 13 2,6
SE 34 6,7
DF 1 0,2
GO 9 1,8
MS 4 0,8
MT 5 1,0
ES 5 1,0
MG 7 1,4
RJ 7 1,4
SP 30 6,0
PR 103 20,6
RS 6 1,2
SC 13 2,6
TOTAL 501 100
FONTE: MST, em 7 de julho de 1999. Publicado em �poca, 26 de jul. 1999. (Quadro adaptado)

Tomando-se como refer�ncia os dados contidos nesse quadro, � CORRETO afirmar que
a) a concentra��o de, aproximadamente, 20% dos acampamentos em um �nico
Estado do Sul se explica pela presen�a maci�a, nessa regi�o, de grandes propriedades destinadas � produ��o de soja, voca��o herdada do per�odo colonial.
b) o �ndice de cerca de 10% de acampamentos, observado nos Estados do
Sudeste, deriva da hist�rica homogeneidade, nessa regi�o, dos estabelecimentos agr�colas e pastoris, com o predom�nio de unidades de trabalho familiar dedicadas � policultura.
c) o n�mero mais expressivo de acampamentos � observado em um Estado da
Federa��o historicamente constitu�do por latif�ndios monocultores e com larga tradi��o de luta dos camponeses contra os grandes propriet�rios.
d) o pequeno n�mero de acampamentos nos Estados do Norte e do Centro-Oeste
� resultado da aus�ncia de latif�ndios nessas regi�es, derivada da coloniza��o tardia e da generaliza��o de frentes de trabalho.

 

 

 

15) Observe esta charge:

Hoje em Dia, 26 maio 2000.

Nessa charge, pretende-se
a) caracterizar a impunidade das for�as repressivas no Brasil nas suas a��es
arbitr�rias, impetradas nas favelas de grandes cidades, contra o crime organizado, liderado por agentes do narcotr�fico.
b) denunciar as a��es das for�as militares brasileiras, apoiadas pelas ag�ncias
multinacionais monitoradoras da economia do Pa�s, contra os movimentos estudantis dos anos 90 deste s�culo.
c) enfatizar a constante repress�o do Ex�rcito �s manifesta��es populares,
estampando os violentos conflitos com os ind�genas nas comemora��es dos 500 anos do Brasil.
d) generalizar as situa��es de repress�o no Pa�s, associando-as � colabora��o
do Brasil com pa�ses sul-americanos, no enfrentamento aos movimentos contr�rios �s ditaduras militares nos anos 70 deste s�culo.