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N ã o T r o p e c e n a L í n g u a - M. T. Piacentini FALANDO DE GENTE (2)
Usar "a gente" é muito comum no Brasil no lugar de "eu" ou "nós". Trata-se de um "pronome pessoal", conforme registro dos gramáticos Celso Luft e Napoleão Mendes de Almeida, mas deve ser evitado na linguagem formal (discursos, teses, ensaios, dissertações etc.) e abolido de todo na linguagem técnica (uma lei, por exemplo). Entretanto, pode ser usado coloquialmente. Neste caso, deve-se atentar para sua concordância: a gente fica aborrecida
[mulher falando] a gente fica aborrecido [homem falando] a gente já sabe, a gente ficou sabendo [um ou mais falantes]. Observe que o verbo se mantém no singular mesmo quando a idéia é de grupo: "nós sabemos, nós ficamos". Essa é a concordância gramatical, a recomendada, e não *a gente sabemos, *a gente ficamos. No entanto, admite-se o verbo na 1ª pessoa do plural quando ele vem na seqüência mas distante da palavra ‘gente’, exatamente pela pluralidade que o falante deseja transmitir: - A gente conversou com o diretor, porém acabamos não pedindo nada, ficamos a ver navios...
Há diferença: israelense (ou, menos usado, israeliano) é o substantivo utilizado para designar o habitante ou a pessoa natural do Estado de Israel, criado em 1948. Pode ser também adjetivo: relativo ao mesmo Estado de Israel; israelita refere-se ao indivíduo do povo descendente do patriarca bíblico Jacó, o povo de Israel, que é também chamado de judeu ou hebreu. É um termo mais abrangente do que israelense, pois não se limita a uma época ou espaço geográfico. Por exemplo, você pode falar que Ariel Sharon é israelita (referindo-se à origem racial dele), mas sempre dirá, em relação ao seu cargo, que ele é "o primeiro-ministro israelense". Na função de adjetivo, israelita pode comutar com judeu, judaico e hebraico. Para adjetivar o que é relativo ou pertencente ao Judaísmo, usa-se apenas judaico(a): a religião judaica, os textos judaicos.
Existem normas para transcrever ou aportuguesar palavras estrangeiras de modo geral. E aí não entra a letra k, pois ela não pertence ao nosso alfabeto. No caso, kamikaze – que quer dizer "vento divino" – deve ser escrito camicase ou camicaze, duas formas que se encontram no dicionário Houaiss. Quanto ao termo que
designa o trabalhador temporário no Japão, está registrado
no "Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua
Portuguesa", da Academia Brasileira de Letras: decassegui, assim
sem acento, por evidente lapso, já que se trata de paroxítona
terminada em ‘i’. O Houaiss traz dois registros: decasségui ou
decassêgui. *Maria
Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros "Só Vírgula"
e "Só Palavras Compostas", é diretora do Instituto
Euclides da Cunha, www.linguabrasil.com.br |