Dicas de português

Estrangeirismos


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Estrangeirismos

J. Poloni, de Pirajuí - SP, pede um esclarecimento: Sempre que colocam data nas mensagens que recebo, a grafia do mês inicia com letra minúscula. Está certo? Não seria correto "maio" ao invés de "Maio" no meio da frase?

Sem dúvida, seria e é correto. No Brasil valem ainda as regras estabelecidas no Formulário Ortográfico de 1943 (oficial), que na observação do § 3º - 49 reza: "Os nomes dos meses devem escrever-se com inicial minúscula: janeiro, fevereiro (...) e dezembro". Essa questão é particular a cada língua; no inglês, por exemplo, convencionou-se que a inicial é maiúscula. E como estamos a comprar programas de informática em inglês, acabamos nos submetendo ao computador, que gradualmente nos impinge as normas e a cultura do exterior. Nós brasileiros estamos aceitando isso de modo muito cômodo, deixando nosso idioma se descaracterizar.

Contra esse comodismo temos, felizmente, uma arma: o Projeto de Lei n.º 1676, de 1999, que "dispõe sobre a promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa". De autoria do deputado federal Aldo Rebelo, o projeto considera "lesivo ao patrimônio cultural brasileiro, punível na forma da lei", o uso de palavra ou expressão em língua estrangeira na esfera pública, ou seja, no ensino–aprendizagem, no trabalho, nas relações jurídicas, nos meios de comunicação de massa, em eventos públicos nacionais, na produção e publicidade de bens, produtos e serviços, ressalvadas certas situações, é claro, e os casos excepcionados na própria lei e na sua futura regulamentação.

A bem da verdade, muitos intelectuais e jornalistas já vêm há algum tempo se manifestando sobre o assunto. Em julho último o premiado escritor Deonísio da Silva, na sua coluna semanal na Cidade Virtual de São Carlos (www.terra.com.br/cidades) escreveu:

"É o boom do bumbum! A moda brasileira é a mais sexy do mundo. Às vezes até exagera e o fashion vira strip-tease", disse a crítica de moda Regina Guerreiro a propósito do mais recente Morumbi Fashion, quando as 23 grifes mais famosas apresentaram, em São Paulo, suas coleções de primavera e verão para o ano de 2001. Ela também exagerou. Em quatro frases utilizou cinco palavras inglesas. Mas falava em português. Tudo que disse poderia ser aportuguesado, mas nossos dicionários não conseguem acompanhar o esplendor da língua portuguesa e as palavras nascidas das novas atividades."

Exemplos de colonialismo cultural que chegou às raias do absurdo: no saguão de um supermercado de Florianópolis uma imobiliária promovia suas vendas com enorme painel: "Compre aqui os imóveis mais light da cidade"! Já não bastam as comidas "light" e "diet", que raras pessoas sabem exatamente do que se trata, e agora temos imóveis "leves" ou "brandos"?!

É contra tais abusos que se insurge o projeto de lei do deputado Aldo Rebelo. Vale a pena conhecê-lo na íntegra e apoiar sua aprovação no Congresso.

Respostas breves a leitores diversos:

- Convencionou-se que o certo é POR ISSO, em duas palavras. Mas "por ventura" já se uniu numa só: PORVENTURA. Ortografia é isso aí, não se discute...

- É correta a contração PRA (´para a´) em determinados contextos - na linguagem coloquial, na reprodução de um diálogo, na propaganda, em frases-feitas tipo "bom pra chuchu" - mas então não coloque o acento agudo no ´a´.

- Em frases comparativas usa-se QUE NEM no lugar de COMO apenas na fala coloquial (vulgar ou popular) como recurso expressivo: "Você agiu que nem uma criança!" No português formal diga: "Eu sou como você, tal como ela é".

- A locução adverbial MUITA VEZ está correta, mas é certamente menos usual que seu plural MUITAS VEZES.

*Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros "Português para Redação" e "Só Vírgula", é diretora do Instituto Euclides da Cunha,www.linguabrasil.com.br

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