- UNIVERSIDADE DE MAR�LIA - UNIMAR -
- PROCESSO SELETIVO - VESTIBULAR 2000 - PROVA DE PORTUGU�S E LITERATURA -

01) Leia o fragmento abaixo:

O guardador de rebanho (V)
H� metaf�sica bastante em n�o pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei l� o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que id�ia tenho eu das cousas?
Que opini�o tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre cria��o do Mundo?
N�o sei. Para mim pensar nisso � fechar os olhos
E n�o pensar. � fechar as cortinas
Da minha janela ( mas ela n�o tem cortina).
Metaf�sica? Que metaf�sica t�m aquelas �rvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que n�o nos faz pensar.

Dentre as caracter�sticas que se apontam no fragmento do poema acima, qual a que n�o condiz com ele?
a) Retrata o mundo do real-sens�vel (ou real-objeto);
b) Deve-se considerar como tudo aquilo que existe;
c) O que existe pode ser percebido atrav�s dos sentidos;
d) Possui a mesma l�gica da ordem natural das coisas;
e) Pressente que existe uma for�a maior, uma entidade implac�vel a que todos obedecemos.

02) Assinale a alternativa cujos versos drummondianos n�o pertencem � fase de Sentimento do mundo:
a) "Tenho apenas duas m�os
   e o sentimento do mundo,
   mas estou cheio de escravos,
   minhas lembran�as escorrem
   e o corpo transige
   nas conflu�ncias do amor."
b) " A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
   vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes."
c) "� preciso viver com os homens,
   � preciso n�o assassin�-los,
   � preciso ter m�os p�lidas
   e anunciar o FIM DO MUNDO."
d) " Quando nasci, um anjo torto
   desses que vivem na sombra
   disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida."
e) "Eu sou branca e longa e fria,
   a minha carne � um suspiro
   na madrugada da serra."

03) "O retirante explica ao leitor quem � e a que vai" inicia o poema Morte e vida severina, de Jo�o Cabral de Melo Neto. Todos os versos abaixo se referem ao trecho inicial, exceto:
a) " - O meu nome � Severino,                    d) "Somos muitos Severinos
n�o tenho outro de pia.";                           iguais em tudo na vida.
b) " morremos de morte igual,                       Na mesma cabe�a grande
mesma morte severina:                               que a custo � que se equilibra,
que � a morte de que se morre,                      no mesmo ventre crescido
de velhice antes dos trinta,                        sobre as mesmas pernas finas."
............................."                   e) "Essa cova em que est�s,
c) " Vejamos: � o Severino                          com palmos medida,
da Maria do Zacarias,                               � a conta menor
l� da serra da Costela,                             que tiraste em vida."
limites da Para�ba."

04) Leia os trechos abaixo, retirados do poema Morte e vida severina, de Jo�o Cabral de Melo Neto:

I. "Mas para que me conhe�am
melhor Vossas Senhorias,
e melhor possam seguir
a hist�ria de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presen�a emigra."
II. " - � uma cova grande
para tua carne pouca,
mas a terra dada
n�o se abre a boca."
III. " - Como �s homem
a terra te dar� chap�u:
fosses mulher, xale ou v�u."

As falas acima pertencem:
a) I. � primeira cena: a apresenta��o do retirante;
b) II. � terceira cena: o nascimento de um menino;
c) I . � segunda cena: chegada � zona da mata;
d) II. � quarta cena: fala do carpina com o retirante;
e) III. � terceira cena: o enterro de um trabalhador.

05) Assinale a alternativa em cuja seq��ncia de romances t�m relevo, respectivamente, os seguintes temas: ci�me doentio que leva � morte - coloniza��o do Brasil - indaga��o metaf�sica da exist�ncia (ou inexist�ncia) do diabo:
a) Vidas Secas - O guarani - Doidinho;
b) S�o Bernardo - Iracema - Grande Sert�o: Veredas;
c) Casa de pens�o - Terras do sem-fim - Mem�rias P�stumas de Br�s Cubas;
d) A moreninha - O Quinze - Ang�stia;
e) O corti�o - O Ateneu - Dom Casmurro.

06) Nesta quest�o, associam-se autor, obra e personagem da obra citada. Analise as proposi��es, tendo em vista as associa��es corretas:

I. Graciliano Ramos: S�o Bernardo (Madalena)
Machado de Assis: Dom Casmurro (Jos� Dias)
II. �rico Ver�ssimo: Olhai os l�rios do campo (Eunice)
Jorge Amado: Gabriela, cravo e canela (Nacib)
III. Jo�o Guimar�es Rosa: Grande Sert�o: Veredas (Joca Ramiro)
Jos� de Alencar: Iracema (Irapu�)
IV. Jos� Am�rico de Almeida: A bagaceira (Ana Terra)
Raquel de Queiroz: O quinze (Ol�via)
V. Jos� Lins do Rego: Capit�es de areia (Pedro Bala)
Jos� de Alencar: O guarani (Ceci)

A prop�sito dessa quest�o, pode-se afirmar que:
a) todas as associa��es est�o corretas em todas as proposi��es;
b) nenhuma proposi��o apresenta todas as associa��es corretas;
c) apenas as associa��es das proposi��es I, II e III est�o corretas;
d) apenas as associa��es das proposi��es I, II e IV est�o corretas;
e) apenas as associa��es das proposi��es II, III e V est�o corretas.

07) Iracema (de Iracema), Capitu (de Dom Casmurro), Am�lia (de O crime do padre Amaro) s�o personagens dos romances indicados entre par�nteses, cujo fim foi tr�gico. Das afirmativas abaixo, qual a que n�o corresponde �s narrativas citadas?
a) Am�lia, isolada e escondida na quinta da Rico�a, entrega o filho rec�m-nascido a uma tecedeira de anjos;
b) Tanto Iracema, quanto Capitu e Am�lia, s�o afastadas do marido ou amante;
c) Martim afasta-se de Iracema, para guerrear com os inimigos dos portugueses, os �ndios associados a outros brancos;
d) Capitu, supostamente manipulada por Jos� Dias - associado a padre Cabral e Dona Gl�ria - persuade Bento Santiago a ir para o Semin�rio;
e) Iracema e Am�lia t�m um tra�o comum - ambas falecem ao dar � luz.

08) Todas as freiras do convento s�o possuidoras de v�cios; em uma cr�tica acerba contra o clero (e o poder dominante), E�a de Queiroz n�o poupa palavras em O crime do Padre Amaro. Assinale a alternativa que n�o est� de acordo com esta afirmativa:
a) A prioresa � a maior intriguista do convento;
b) Por seu turno, a prelada oferece "papel, tinta, obreias e o meu quarto, se para l� quiser ir escrever.";
c) Al�m de glutona, a prelada n�o dispensava uma agulhada contra as novi�as e freiras do convento;
d) A madre escriv� tomava um "copinho de certo vinho estomacal com que todas as noites era brindada".
e) Enquanto foi nova, a prioresa foi a que mais esc�ndalos dava na casa.

09) Leia os fragmentos abaixo, extra�dos do livro S�o Bernardo, de Graciliano Ramos, e depois, assinale a alternativa correta, quanto � classifica��o das ora��es subordinadas neles grifadas:

Os currais que se escoram uns aos outros, l� embaixo, tinham l�mpadas el�tricas.
Se eu povoasse os currais, teria boas safras...
Como lhes disse, fui guia de cego...
Convenceram-me de que nenhum desses of�cios me daria os recursos necess�rios para engendrar esta narrativa.
Al�m disso estou certo de que a escritura��o mercantil, os manuais de agricultura e pecu�ria, que me forneceram a ess�ncia da minha instru��o,...

a) adjetiva restritiva, adverbial condicional, adverbial comparativa, substantiva completiva nominal, substantiva objetiva indireta;
b) adjetiva explicativa, adverbial temporal, adverbial conformativa, substantiva objetiva direta, substantiva objetiva indireta;
c) adjetiva restritiva, adverbial condicional, adverbial conformativa, substantiva objetiva indireta, substantiva completiva nominal;
d) adjetiva explicativa, adverbial temporal, substantiva objetiva indireta, substantiva completiva nominal, substantiva objetiva direta;
e) principal, adverbial condicional, adverbial causal, substantiva completiva nominal, substantiva objetiva indireta.

10) A filha de Araqu�m debalde rogava ao crist�o, debalde o cingia nos bra�os, buscando arranc�-lo ao combate. De seu lado, Caubi em v�o provocava Irapu� para atrair a si a raiva do chefe. (Jos� de Alencar, Iracema)
No fragmento acima, observamos que os verbos nele contidos foram empregados rigorosamente, de acordo com sua reg�ncia.
Nas alternativas abaixo, h� uma frase em que a reg�ncia verbal est� incorreta. Assinale-a:
a) A magistratura a seduzia, prometia aquilo a que mais aspirava, seguran�a, respeitabilidade.
b) O departamento de pessoal informa-lhe de que julgou suficientes os conhecimentos de que o candidato disp�e.
c) O homem de cujas fei��es n�o me lembro, encontra-se junto � porta a que me referi.
d) Lembrou-me a inusitada transforma��o por que passa a universidade brasileira.
e) Procede-se com brandura quando querem detectar falhas no relacionamento humano.

11) Assinale a alternativa incorreta quanto � concord�ncia verbal:
a) Vossa Senhoria deveis verificar se os compromissos de que eu o estou lembrando constam de sua agenda.
b) Toda a verdade dos fatos ser� apurada, ainda que doam as revela��es.
c) Vivemos numa �poca em que as palavras parece que foram feitas para esconder o pensamento.
d) Ali crescia uma multid�o de trepadeiras que se enrodilhavam aos troncos das �rvores.
e) S� quando acontecem inunda��es e desabamentos dos barracos das favelas, � que as autoridades tomam medidas.

12)
  I - As mulheres julgam os homens vol�veis.
II - Rivaldo e seus companheiros da sele��o brasileira s�o amados das mulheres.
III - Os homens s�o julgados inconstantes pelas mulheres.
IV - Desenvolvemos profundo respeito � arte.
  V - Eles se amam de qualquer maneira.

Assinale a alternativa em que as palavras grifadas est�o corretamente analisadas:
a) objeto indireto, agente da passiva, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adnominal;
b) predicativo do sujeito, adjunto adverbial, predicativo do objeto, objeto indireto, adjunto adverbial;
c) predicativo do sujeito, agente da passiva, predicativo do sujeito, objeto indireto, adjunto adverbial;
d) predicativo do objeto, agente da passiva, predicativo do sujeito, complemento nominal, adjunto adverbial;
e) agente da passiva, predicativo do objeto, complemento nominal, adjunto adverbial, predicativo do sujeito.

13) Assinale a alternativa que contenha a mesma figura de pensamento existente no per�odo abaixo:

"Uns querem o mal, e fazem-nos o bem. Outros nos almejam o bem, e trazem o mal." (Rui Barbosa)

a) "Gente inimiga era tanta, tantas bandeiras no c�u, que o sol, baixando atr�s delas, como que se escureceu." (J. Budin)
b) " Sabei, crist�os, sabei, pr�ncipes, sabei, ministros, que se vos h� de pedir estreita conta do que fizestes, mas muito mais do que deixastes de fazer". (Padre Ant�nio Vieira)
c) "O aroma nupcial dos jasmins delirantes, diluindo um cheiro acre de resinas, espiritualizava e adormecia o ar meigo e silencioso..." (Raul de Leoni)
d) "O chefe do governo, timoneiro seguro, vai conduzindo a nau do Estado, atrav�s de escolhos no mar encapelado de pol�tica." (Vit�rio Bergo).
e) "Este mundo n�o � p�tria nossa, � desterro, n�o � morada, � estalagem; n�o � porto, � mar por onde navegamos." (Padre Bernardes).

14) Assinale a alternativa em que todas as palavras estejam corretamente grafadas:
a) maxixe, aterrizar, hilaridade, desinteria, impigem;
b) dignit�rio, infestada, empecilho, linimento, muchocho;
c) rixa, chuchu, cochichar, beringela, poleiro;
d) bulir, expender, jirau, geringon�a, meret�ssimo;
e) exegese, manjedoura, mi�anga, so�obrar, herege.

15) A maior parte dos professores classificados no �ltimo concurso municipal, optou pelo regime de tempo parcial. Na frase h� um erro de pontua��o, pois a v�rgula est� separando de modo incorreto:
a) o aposto e o objeto direto;
b) o adjunto adnominal e o predicativo do sujeito;
c) o sujeito e o predicado;
d) o objeto indireto e o complemento agente da passiva;
e) o sujeito e o predicativo do objeto direto.

16) Colocando a ora��o "No peito pintou-se a �guia ", na ordem direta e na voz ativa, temos:
a) Pintaram a �guia no peito;                  d) Tinha-se pintado no peito a �guia;
b) A �guia pintou-se no peito;                 e) A �guia foi pintada no peito.
c) No peito, a �guia pintaram;