Prêmio Nobel de Medicina de 2008 foi na área de Vírus

Por Atualizado em 08/03/2020 8:39

Créditos: Evandro M. de Oliveira*

O Prêmio Nobel de Medicina de 2008 foi entregue alemão Harald zur Hausen e aos franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier. O alemão foi o primeiro pesquisador a estabelecer uma relação entre vírus (HPV) e câncer de colo de útero, enquanto os franceses descobriram o HIV na década de 80.

Os vírus são tema freqüente em provas de vestibular.

São organismos acelulares, isto é, não possuem organização celular e não possuem metabolismo próprio – são parasitas intracelulares obrigatórios. Além disso, apresentam apenas um tipo de ácido nucléico. Assim, há vírus de DNA (ex.: HPV) e vírus de RNA (ex.: HIV). Como não possuem organização celular, são constituídos por uma cápsula de natureza proteica (denominada de capsídeo) e um miolo de material genético. Alguns apresentam um envelope externo.

O HPV (Papilomavírus humano) é um vírus transmitido pelo contato sexual que afeta a área genital tanto de homens como de mulheres. Como mais de 80 tipos, alguns deles causam apenas verrugas comuns no corpo, enquanto outros infectam a região genital, podendo ocasionar lesões que, se não tratadas, se transformam em câncer de colo do útero. A contaminação pelo HPV é por relação sexual e, na maioria das vezes, não há sintomas. Como qualquer doença cuja transmissão se dá por contato sexual, as principais medidas profiláticas são a redução do número de parceiros, o uso de preservativo nas relações sexuais e visitar periodicamente o ginecologista, fazendo os exames preventivos (o exame conhecido como Papanicolau é o mais clássico).

O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é um vírus de RNA que precisa converter seu RNA em DNA, para reproduzir. Assim, é considerado um retrovírus e tem como característica marcante a enzima transcriptase reversa, que possibilita a produção de DNA a partir do RNA.
O HIV instala-se em células de defesa do indivíduo, principalmente os linfócitos T4. Com isso, há uma redução da resposta imunológica da pessoa, a imunossupressão. Devido à essa imunossupressão, a pessoa fica vulnerável a infecções oportunistas, como tuberculose, herpes, encefalite, meningite, dentre outras.

O diagnóstico da AIDS pode ser feito por meio de 3 exames:

  • Elisa – É o exame mais utilizado, adotado principalmente para a triagem inicial. Devido a sua alta sensibilidade, pode apresentar resultados falso-positivos e por isso precisa ser confirmado com outra técnica. A maioria dos laboratórios já realiza esta confirmação automaticamente.
  • Imuno-Fluorescência – É um exame confirmatório e deve ser realizado após um resultado Elisa positivo.
  • Western-Blot – É também confirmatório, um pouco mais preciso que o de Imuno-Fluorescência, pois identifica componentes específicos do vírus. É o mais amplamente adotado para confirmar um resultado positivo de Elisa.

Mas atenção: Há um período de 3 semanas a no máximo 6 meses logo após a exposição ao HIV, em que o resultado do teste pode não ser positivo, mesmo que o vírus esteja presente. Este é o tempo que o organismo leva para produzir os anticorpos para o HIV, que são detectados com os três exames de rotina descritos acima. Esse período é a chamada janela imunológica.

Como medidas profiláticas para a AIDS, podemos citar:

  • Uso de preservativo nas relações sexuais;
  • Uso de seringas descartáveis;
  • Evitar uso comum de objetos perfurantes ou cortantes sem, pelo menos, promover uma esterilização;
  • Inspeção de sangue em casos de transfusão;
  • Mulheres soropositivas que desejam engravidar devem procurar orientação médica, pois, há como reduzir o risco de contaminação do bebê;
  • Parturientes devem evitar a amamentação no peito.

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*Evandro M. de Oliveira é Bacharel e Licenciado em Ciências Biológicas pela UFV-MG, e Pós-Graduado em Biologia pela UFLA-MG. Professor do Ensino Médio e Pré-Vestibulares desde 1988.


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