Comissão que avalia ‘pertinência’ de questões do Enem conclui trabalho

Por Atualizado em 05/04/2019 7:05

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia do Governo Federal responsável pela prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) informou que a comissão criada para realizar a “leitura transversal” das questões que compõem o Banco Nacional de Itens (BNI) e “verificar a pertinência com a realidade social” concluiu o trabalho dentro do prazo estabelecido. De acordo com o Inep, o resultado dos esforços não será divulgado.

Na quarta-feira, dia 03 de abril, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) do Ministério Público Federal (MPF) solicitou ao Inep mais informações sobre a comissão.

A procuradoria já havia feito a solicitação anteriormente, depois de ter considerado o propósito da comissão “extremamente vago” e citado uma jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre “abuso de poder”, na qual afirmava que “o Estado não pode, no desempenho de suas atribuições, dar causa à instauração de situações normativas que comprometam e afetem os fins que regem a prática da função de legislar”.

Na nota divulgada nesta quarta, o órgão afirmou que, após uma análise jurídica dos documentos encaminhados pelo Inep, decidiu solicitar novos esclarecimentos. Segundo a PFDC, o Inep informou que já havia instituído, em 2016, uma comissão externa de revisão do Enem. “Diante dessas informações, a Procuradoria pediu acesso às conclusões a que chegou o grupo especial de trabalho constituído pelo Inep em 2016, bem como as propostas de ajustes técnicos e pedagógicos resultantes dessa análise”, diz o comunicado.

Comissão

A comissão foi composta por três pessoas:

  • Marco Antônio Barroso Faria (secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC);
  • Antonio Maurício Castanheira das Neves (diretor de estudos educacionais do Inep);
  • Gilberto Callado de Oliveira (procurador de justiça de Santa Cataria, representante da sociedade civil).

Os membros da comissão tiveram dez dias para realizar a avaliação e emitir uma recomendação sobre o uso ou não dos itens na montagem das provas do Enem 2019. A previsão era de que, depois, o diretor da Avaliação Básica faria outro parecer sobre as considerações da comissão e que a decisão final ficaria a cargo do presidente do Inep. No entanto, as duas funções estão vagas no Ministério da Educação (MEC).

Elaboração de questões tem alto custo

A elaboração de questões para o Enem envolve muito recurso financeiro envolvido. O Banco Nacional de Itens é formado por questões que passam por amplo processo de elaboração. Uma única questão prevê dez etapas, desde o treinamento de professores até o pré-teste dos itens e revisão por parte de especialistas das áreas de conhecimento.

De acordo com o órgão, nenhuma das questões será descartada. A questões que forem sugeridas para não serem aplicadas serão separadas para posterior adequação, serem novamente testadas e utilização.

Críticas a questões do Enem 2018

O atual governo realizou diversas críticas a questões do Enem 2018. Por exemplo, em uma questão do Enem 2018 era citado um dialeto utilizado por gays e travestis.

“Uma questão de prova que entra na dialética, na linguagem secreta de travesti, não tem nada a ver, não mede conhecimento nenhum. A não ser obrigar para que no futuro a garotada se interesse mais por esse assunto”, disse Bolsonaro em novembro, ainda antes da prova.

Questão do Enem 2018

“Acuenda o Pajubá”, conheça o “dialeto secreto” utilizado por gays e travestis

Com origem no iorubá, linguagem foi adotada por travestis e ganhou a comunidade

“Nhaoí, amapô! Não faça a loka e pague meu acué deixe de equê se não eu puxo teu pícumã!” Entendeu as palavras dessa frase? Se sim, é porque você manja alguma coisa de pajubá, o “dialeto secreto” dos gays e travestis.

Adepto do uso das expressões, mesmo nos ambientes mais formais, um advogado afirma: “É claro que eu não vou falar durante uma audiência ou numa reunião, mas na firma, com meus colegas de trabalho, eu falo de ‘acué’ o tempo inteiro”, brinca. “A gente tem que ter cuidado de falar outras palavras porque hoje o pessoal já entende, né? Tá na internet, tem até dicionário…”, comenta.

O dicionário a que ele se refere é o Aurélia, a dicionário da língua afiada, lançado no ano de 2006 e escrito pelo jornalista Angelo Vip e por Fred Libi. Na obra, há mais de 1 300 verbetes revelando o significado das palavras do pajubá.

Não se sabe ao certo quando essa linguagem surgiu, mas sabe-se que há claramente uma relação entre o pajubá e a cultura africana, numa costura iniciada ainda na época do Brasil colonial.

Disponível em www.midiamax.com.br. Acesso em 4 de abr. 2017 (adaptado).

Da perspectiva do usuário, o pajubá ganha status de dialeto, caracterizando-se como elemento de patrimônio linguístico, especialmente por

a) ter mais de mil palavras conhecidas.
b) ter palavras diferentes de uma linguagem secreta.
c) ser consolidado por objetos formais de registro.
d) ser utilizado por advogados em situações formais.
e) ser comum em conversas no ambiente de trabalho.

Resposta: C


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