Dicas de português: A que ponto chegamos

Por Atualizado em 14/06/2020 17:08

A que ponto chegamos

“Roubaram as roupas da cachorrinha. A que ponto chegamos!” Terminou assim o comentário do jornalista Luiz Carlos Prates (Diário Catarinense) sobre um inédito caso de furto. Isso vem a propósito da dúvida que assaltou a Assessora Jurídica Cláudia N.M. da Cunha, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina: Como é correto escrever e por que: ‘chegando ao ponto de’ ou ‘chegando a ponto de’.

Assinale a primeira opção, Cláudia. A questão é que existem três expressões parecidas:
1) Ao ponto. Diz-se de carne medianamente passada: “Quero minha picanha ao ponto.

2) A ponto de.
a) Locução que significa prestes a; em perigo de; segue-lhe um verbo no infinitivo:
– Jota estava a ponto de afogar-se quando chegou o salva-vidas.
– Estivemos a ponto de comprar a casa que ruiu na última enchente – sorte nossa.
– Estávamos a ponto de sair de casa quando chegou uma visita.

b) Locução de valor consecutivo [recordemos as conjunções consecutivas: tão… que, tal… que, tanto… que, tamanho… que], com sentido equivalente a a pique de; também seguida de um verbo no infinitivo:
– O sujeito ficou superfurioso, a ponto de agredir fisicamente o árbitro (que esteve a ponto de perder sua imparcialidade).
– Jota indignou-se tanto a ponto de interromper o discurso do paraninfo.
– O programa – que é não-governamental – vem cumprindo sua missão de maneira invejável, a ponto de suscitar muitas imitações.
– A inflação recrudesceu, a ponto de o presidente convocar reunião de emergência com a equipe econômica.

3) Ponto. Substantivo com o sentido de ‘limite, situação extrema’e que pode ser definido (o ponto, esse ponto, que ponto, tal ponto etc.); muito usado com o verbo ‘chegar’ :
– Bateu na mulher – nunca pensei que fosse chegar a esse ponto.
– O desequilíbrio o levou ao ponto da violência física.
– O condomínio tradicional perdeu importância nos últimos 40 anos diante da avassaladora presença dos empreendimentos imobiliários subordinados à Lei n.º 4.591/64, a tal ponto que hoje se costuma adjetivá-lo como milenar, antigo etc.
– A lei não chega ao ponto de exigir a assinatura do destinatário.
Sendo assim, analise cuidadosamente o caso antes de trocar precipitadamente o “ao ponto de” que seu computador assinala em verde por “a ponto de”, visto que Você pode estar com a razão!

*Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros “Português para Redação” e “Só Vírgula”, é diretora do Instituto Euclides da Cunha,www.linguabrasil.com.br


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