A redação do Encceja 2026 será uma etapa decisiva para quem busca a certificação do ensino fundamental ou do ensino médio. A prova será aplicada em 23 de agosto de 2026, em todos os estados e no Distrito Federal, e exige do participante um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa.
Embora o tema oficial só seja conhecido no dia do exame, treinar com assuntos possíveis pode ajudar na organização das ideias, no desenvolvimento de argumentos e na elaboração da proposta de intervenção. Para isso, o participante pode recorrer às orientações do Inep, que divulgou a cartilha de redação com critérios, exemplos e orientações para a preparação até a prova.
De acordo com as orientações do exame, a redação deve apresentar um ponto de vista sobre o problema proposto e defendê-lo com informações, fatos, opiniões e argumentos. Além disso, o texto precisa trazer uma proposta de intervenção relacionada ao tema discutido e em conformidade com os direitos humanos.
Os textos motivadores podem ser usados como base de reflexão, mas não devem ser copiados. A recomendação é interpretar a coletânea, relacioná-la aos conhecimentos construídos ao longo da vida e produzir uma argumentação própria.
Os assuntos abaixo são sugestões de treino. Eles não correspondem a temas oficiais do Inep, mas reúnem problemas sociais que permitem ao candidato defender uma opinião, organizar argumentos e apresentar uma solução para o problema discutido.
Na proposta de intervenção, podem aparecer campanhas educativas, inclusão da educação financeira nas escolas, orientações gratuitas à população e debate sobre a responsabilidade das instituições que oferecem crédito.
O crescimento das plataformas de apostas abre espaço para uma discussão sobre endividamento, saúde mental e comprometimento da renda familiar. Também é possível abordar a facilidade de acesso aos jogos e a divulgação feita nas redes sociais.
Como intervenção, o participante pode sugerir campanhas de conscientização, controle da publicidade, mecanismos de limitação de gastos e ampliação do atendimento a pessoas com comportamento compulsivo.
Ansiedade, estresse, solidão e dificuldade de acesso a acompanhamento psicológico são problemas enfrentados por diferentes grupos sociais. O tema permite discutir como a falta de informação e o preconceito dificultam a procura por ajuda.
Entre as medidas possíveis estão o fortalecimento dos serviços públicos, ações preventivas nas escolas e nos locais de trabalho e campanhas de incentivo ao cuidado com a saúde mental.
As redes sociais ampliam a comunicação e o acesso a conteúdos, mas também podem favorecer a disseminação de notícias falsas, golpes, ataques virtuais e discursos de ódio. O uso excessivo dessas plataformas ainda pode afetar sono, estudos e relações pessoais.
Nesse caso, o candidato pode propor educação digital, campanhas sobre segurança na internet, fiscalização das plataformas e orientação a crianças, jovens e adultos sobre o compartilhamento responsável de informações.
A circulação de informações falsas pode influenciar decisões ligadas à saúde, à educação, à segurança e ao exercício da cidadania. Muitas mensagens são compartilhadas sem verificação da fonte ou da data de publicação.
Uma proposta de intervenção possível é a realização de oficinas de educação midiática em escolas e comunidades, além de campanhas públicas para ensinar a população a consultar fontes confiáveis antes de repassar uma notícia.
A inteligência artificial já aparece em ferramentas de estudo, atendimento, produção de conteúdo e seleção profissional. Ao mesmo tempo em que pode aumentar a produtividade, o tema também permite discutir privacidade, substituição de trabalhadores e divulgação de informações incorretas.
O texto pode defender regras para uso responsável da tecnologia, qualificação profissional e projetos educacionais voltados ao uso crítico e ético dessas ferramentas.
A falta de acessibilidade ainda limita o uso de transportes, escolas, unidades de saúde, espaços de lazer e serviços digitais por muitas pessoas com deficiência. Além das barreiras físicas, também existem obstáculos de comunicação e atitudes preconceituosas.
Como proposta de intervenção, cabem medidas como fiscalização das normas de acessibilidade, adaptação de espaços públicos, capacitação de profissionais e ampliação das oportunidades de educação e trabalho.
Muitas pessoas interrompem os estudos por necessidade de trabalhar, cuidar da família, enfrentar problemas de saúde ou lidar com dificuldades de transporte. O retorno à escola pode ser apresentado como oportunidade de crescimento pessoal e profissional.
O candidato pode defender horários mais flexíveis, oferta de transporte, acesso à tecnologia, acolhimento dos estudantes e políticas voltadas à permanência na Educação de Jovens e Adultos.
O desperdício pode ocorrer na produção, no transporte, na comercialização e no consumo doméstico. Ao mesmo tempo, parte da população enfrenta dificuldades para manter uma alimentação adequada.
Na intervenção, o participante pode sugerir campanhas de consumo consciente, incentivo à doação de alimentos próprios para consumo, planejamento das compras e projetos sobre aproveitamento seguro dos produtos.
Queimadas, enchentes, seca, poluição e descarte irregular de resíduos fazem parte de problemas ambientais que afetam saúde, moradia e qualidade de vida. O tema permite relacionar impactos sociais e ambientais em diferentes contextos.
Uma redação sobre esse assunto pode defender coleta seletiva, fiscalização de crimes ambientais, proteção de áreas verdes e ações permanentes de educação ambiental.
O envelhecimento da população amplia a necessidade de políticas de saúde, mobilidade e convivência social. Também é possível discutir abandono, violência, golpes financeiros e discriminação por idade.
Entre as medidas possíveis estão campanhas de conscientização, fortalecimento dos canais de denúncia, atendimento especializado e projetos de participação social para idosos.
O bullying pode provocar isolamento, queda no rendimento escolar e sofrimento emocional. O problema pode ocorrer por agressões físicas, ofensas, intimidações ou exposição da vítima nas redes sociais.
O candidato pode propor canais seguros de denúncia, acompanhamento das vítimas, orientação às famílias e atividades educativas voltadas ao respeito às diferenças.
A dificuldade de acesso a alimentos frescos e o consumo frequente de ultraprocessados podem prejudicar a saúde. O tema permite discutir informação nutricional, alimentação escolar e condições econômicas das famílias.
Na proposta de intervenção, podem ser defendidas campanhas educativas, incentivo às feiras locais, melhoria da alimentação oferecida nas escolas e informações mais claras nos rótulos.
Longos deslocamentos, lotação, congestionamentos e falta de acessibilidade afetam trabalhadores e estudantes diariamente. O transporte também interfere no acesso à escola, ao emprego e aos serviços de saúde.
Como solução, o participante pode propor investimentos no transporte coletivo, criação de ciclovias, adaptação de estações e veículos e planejamento urbano que aproxime os serviços da população.
Desperdício, poluição dos mananciais e problemas nas redes de distribuição podem comprometer o abastecimento. O assunto permite discutir responsabilidades individuais, empresariais e governamentais.
O texto pode sugerir campanhas educativas, recuperação de nascentes, fiscalização de atividades poluidoras, manutenção das tubulações e incentivo ao reaproveitamento seguro da água.
A Redação Encceja 2026 será avaliada em cinco competências, desde que o texto não apresente motivo para anulação. Esses critérios observam a produção como uma unidade de sentido, o que exige clareza, organização e coerência.
A primeira competência verifica o domínio da escrita formal da língua portuguesa, incluindo construção das frases, ortografia, pontuação, concordância, regência, escolha de palavras e separação adequada dos parágrafos.
A segunda competência avalia a compreensão do tema e do tipo textual. Isso significa que o participante precisa realmente produzir um texto dissertativo-argumentativo, sem se limitar a narrar fatos ou apenas descrever situações.
A terceira competência considera a seleção, a relação, a organização e a interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. As ideias devem seguir uma sequência lógica.
A quarta competência analisa os mecanismos de construção da argumentação, como o uso de palavras e expressões que conectam frases, períodos e parágrafos. Conectivos precisam ser empregados de acordo com o sentido pretendido.
A quinta competência trata da proposta de intervenção. Uma solução bem desenvolvida pode indicar quem realizará a ação, o que será feito, como a medida será executada e qual finalidade deverá alcançar.
Antes de escrever, o participante deve ler com atenção o comando e os textos motivadores. Em seguida, pode definir o tema, escolher o ponto de vista e separar dois argumentos para sustentar a tese.
Uma estrutura possível é dividir a redação em quatro parágrafos: introdução, dois parágrafos de desenvolvimento e encerramento com proposta de intervenção. Essa organização não é obrigatória, mas pode facilitar a construção do texto.
Na introdução, o candidato apresenta o problema e sinaliza o ponto de vista que será defendido. Nos parágrafos de desenvolvimento, deve explicar os argumentos escolhidos com clareza e relação direta com o tema.
Na parte final, a proposta de intervenção precisa ser compatível com os argumentos anteriores. O participante também deve evitar inventar pesquisas, leis ou dados numéricos para tentar fortalecer artificialmente o texto.
Entre os principais cuidados está a exigência de escrever pelo menos cinco linhas válidas, em língua portuguesa, com letra legível e dentro do tema proposto. Linhas anuladas ou compostas por trechos copiados não entram nessa contagem mínima.
Por isso, produzir somente cinco linhas representa risco, já que qualquer trecho desconsiderado pode deixar o texto abaixo do limite exigido. Também devem ser evitados desenhos, ofensas, palavras de baixo calão, recados aos avaliadores, zombarias e passagens deliberadamente desconectadas do assunto.
Os textos motivadores servem para orientar a reflexão e ajudar na compreensão do problema, mas não devem ser reproduzidos na folha definitiva. A cópia não demonstra autoria e os trechos copiados podem ser desconsiderados na avaliação.
O melhor caminho é interpretar o conteúdo e reescrevê-lo com palavras próprias, acrescentando argumentos e conhecimentos que contribuam para uma discussão original.
A prova de redação vale de zero a dez pontos. Para demonstrar o desempenho exigido na área correspondente, o participante precisa obter nota igual ou superior a cinco pontos na redação.
Além disso, é necessário alcançar pelo menos 100 pontos na prova objetiva da área de Linguagens, de acordo com a etapa de certificação escolhida.
Cada redação será corrigida por, no mínimo, dois avaliadores independentes. Um corretor não terá acesso à nota atribuída pelo outro. Quando houver diferença significativa entre as avaliações, o texto será encaminhado para uma terceira correção.
Uma estratégia possível é escolher dois ou três temas por semana e produzir redações completas. Antes de começar, o participante pode reservar alguns minutos para planejar a tese, os argumentos e a proposta de intervenção.
Depois da escrita, a revisão deve verificar se o texto realmente responde ao tema, se mantém o formato dissertativo-argumentativo e se as ideias estão conectadas. Também é importante observar ortografia, pontuação, repetição de palavras e legibilidade.
A orientação é usar a folha de rascunho para planejar e revisar a produção antes de passá-la para a Folha de Redação definitiva. No dia do exame, o local de aplicação será informado no Cartão de Confirmação da Inscrição disponível na Página do Participante, e a prova será aplicada em 23 de agosto de 2026.
NOTA DE CORTE SISU
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