Candidatos do Enem podem alcançar os 200 pontos na Competência 1 da redação mesmo sem um texto totalmente sem falhas. As orientações de correção admitem até um erro sintático e até dois desvios gramaticais sem desconto nessa parte da nota, que avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
A regra ajuda a explicar por que redações com nota máxima no exame podem apresentar deslizes pontuais de grafia, concordância ou regência. Na prática, até um erro sintático e dois desvios gramaticais ainda permitem manter os 200 pontos da Competência 1.
A Competência 1 da redação do Enem mede o domínio da escrita formal em língua portuguesa. Nessa análise, os corretores observam a construção das frases, o respeito às convenções da norma-padrão e o uso adequado de recursos gramaticais ao longo do texto.
As falhas são separadas em grupos diferentes. De um lado, estão os erros sintáticos, ligados à estrutura das frases e dos períodos. De outro, aparecem os desvios gramaticais, relacionados a convenções da escrita e regras da língua.
Para atingir a nota máxima nesse critério, o candidato pode cometer:
Se houver mais de um erro sintático, a redação já deixa de alcançar os 200 pontos na Competência 1. No caso dos desvios gramaticais, a margem de tolerância é um pouco maior, mas limitada a duas ocorrências.
Os erros sintáticos estão relacionados à organização das ideias dentro da frase e à construção do período. Nessa categoria, entram problemas como truncamento, justaposição inadequada de orações, excesso ou ausência de palavras e duplicação indevida de elementos sintáticos.
Em termos práticos, mais de um erro sintático já impede a nota máxima nessa competência. Esse tipo de falha aparece quando a frase fica incompleta, mal articulada ou com estrutura comprometida.
Um exemplo de problema sintático é o trecho: “NO SÉCULO EM QUE VIVEMOS HOJE EM DIA A RELAÇÃO SOBRE A RELAÇÃO DESSAS DIFICULDADES DE HERANÇA HUMANA, A SOCIEDADE BRASILEIRA MUITOS JÁ NÃO SÃO A FAVOR…”. Nesse caso, a organização das ideias e a construção da frase apresentam falhas que entram na avaliação estrutural do texto.
Os desvios gramaticais abrangem erros ligados às convenções da escrita e ao uso formal da língua portuguesa. Entre eles, estão problemas de colocação pronominal, concordância verbal e nominal, regência, tempos e modos verbais, pontuação, acentuação, ortografia e inadequação vocabular.
Também entram nessa classificação expressões incompatíveis com a linguagem formal. Para esses casos, o Enem permite até dois deslizes sem desconto na nota máxima da Competência 1.
Um dos exemplos apresentados é: “A omissão governamental provém a escassez de campanhas sociais.” Nessa construção, a regência adequada seria “provém da escassez”. Outro caso é: “Junto a esta ação, terá a participação do Ministro dos Direitos Humanos.” Na linguagem formal, a forma adequada seria “haverá a participação”.
A repetição de um mesmo erro não significa, necessariamente, perda maior de pontos. Se o candidato escrever a mesma palavra incorretamente várias vezes, o problema será contabilizado apenas uma vez.
Assim, se uma palavra aparecer com a mesma grafia errada em três trechos da redação, o corretor registra um único desvio, e não três. A lógica muda nos erros sintáticos: quando várias frases apresentam problemas de estrutura, cada falha é contada separadamente.
O Enem não desconta pontos quando o candidato erra a grafia de nomes próprios de escrita difícil. Isso vale para referências como Rousseau ou Nietzsche, por exemplo.
Na prática, o estudante pode usar esse tipo de repertório cultural sem que um erro de grafia no nome próprio seja considerado desvio gramatical na correção.
Se o candidato citar entre aspas um trecho de música ou de livro e trocar uma palavra da formulação original, essa alteração não será considerada desvio gramatical, desde que o sentido continue o mesmo.
Um exemplo é a frase “O essencial é invisível aos olhos”, de “O Pequeno Príncipe”. Se o estudante escrever “O importante é invisível aos olhos”, a mudança não entra como erro na avaliação gramatical.
Mesmo com a margem de tolerância, revisar a redação continua sendo uma etapa importante para quem busca nota alta no Enem. Quanto maior o número de falhas, maior o risco de perder pontos na Competência 1.
A orientação é reler o texto com atenção antes de passá-lo a limpo, observando construção das frases, concordância, regência e pontuação.
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