UFSCar prorroga inscrições para Auxílio Inclusão e Acessibilidade

A UFSCar prorrogou as inscrições para o primeiro Edital promovido com doações, de pessoas físicas e empresas, recebidas pelo CRIE (Captação de Recursos para Investimento em Equidade).

Estudantes de graduação e pós-graduação strictu senso, na modalidade presencial ou a distância, que tenham algum tipo de deficiência (física, visual, múltipla, intelectual ou TEA) e renda familiar de até dois salários mínimos por pessoa podem participar do processo seletivo.

Serão distribuídos 50 Auxílios Inclusão e Acessibilidade, no valor de R$ 900 cada (parcela única), para subsidiar a compra de equipamentos ou ferramentas de tecnologia assistiva, materiais de cunho educacional ou a contratação de serviços relacionados às necessidades dos estudantes.

Os interessados devem se inscrever até o dia 12 de outubro, pelo formulário online disponível no Edital, em www.bolsas.ufscar.br. Os candidatos deverão comprovar a condição de deficiência por meio de laudo médico, assim como comprovar a condição de vulnerabilidade socioeconômica. O CRIE já arrecadou pouco mais de R$ 68 mil. Desse total, R$ 45 mil serão investidos na inclusão social, na qualidade de vida, na independência e autonomia dos estudantes.

Aprovado em abril no Conselho Universitário da UFSCar, o programa de fomento à permanência estudantil passou por uma série de tramitações ao longo dos últimos meses para dar solidez, segurança e transparência à iniciativa. A governança fica por conta de um Comitê Gestor aprovado pelo Conselho de Assuntos Comunitários e Estudantis (CoACE), que tem a participação de alunos de graduação e de pós-graduação, além de professores e técnicos administrativos. “Levamos um diagnóstico da nossa situação, discutimos as maiores emergências dentro das nossas possibilidades e foi identificada a necessidade de contribuir com a permanência estudantil de estudantes com deficiência da Universidade”, explica Djalma Ribeiro Junior, Pró-Reitor de Assuntos Comunitários e Estudantis da UFSCar.

O CRIE possibilitou o desenvolvimento de novos editais para áreas que têm necessidades, mas que não são contempladas dentro do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), como, por exemplo, graduandos da modalidade a distância e pós-graduandos. “As Instituições Federais de Ensino Superior passam por um momento de muita dificuldade orçamentária. Apenas na Assistência Estudantil, nos últimos dois anos, a UFSCar teve um corte de R$ 2,2 milhões. O CRIE surgiu pra gente sobreviver a esse momento, já que as pessoas mais impactadas são as que estão em maior situação de vulnerabilidade”, lembra o Pró-Reitor.

Gabriel Moutinho da Silva, graduando do curso de Ciências Sociais da UFSCar, é bolsista e representante discente no Comitê Gestor do CRIE. Ele conta que milhares de alunos entram na Universidade precisando de assistência estudantil, pois não sabem como fazer para permanecer cursando o nível superior. “Muitos cursos são integrais e as pessoas não têm como trabalhar para se manter. O CRIE é um projeto incrível, que tem muito a contribuir para a permanência estudantil”, afirma. De acordo com Djalma Ribeiro Junior, ao mesmo tempo em que a equipe administrativa da Universidade segue batalhando para ampliar os investimentos do Governo Federal para garantir esse direito aos alunos, é preciso apelar para a solidariedade das pessoas que podem colaborar.

Tatiana Nicéas, graduando do curso de Gestão e Análise Ambiental, também bolsista da Universidade e integrante do Comitê Gestor do CRIE, alerta que é importante defender a permanência estudantil com unhas e dentes. “Não podemos deixar os direitos conquistados com tanta luta serem retirados. É obrigação do Governo investir na Educação” diz. “Estamos concretizando um projeto pautado nas questões solidárias e de empatia. Conseguimos caminhar até com uma certa rapidez, pensando que há 5 meses a gente estava aprovando o CRIE e, hoje, estamos aqui com o primeiro filho do programa. Obrigado a todos que colaboraram até aqui para construir uma Universidade mais democrática e inclusiva. Estamos muito felizes e esperançosos de que possamos abrir outros editais a partir desse movimento. Mas para isso acontecer é preciso ter mais doações. Quanto mais doações, mais ações a gente vai conseguir realizar”, ressalta o Pró-Reitor.

COMO DOAR
O CRIE recebe doações a partir de R$ 10 de pessoas físicas. Para empresas, o valor mínimo de colaboração é R$ 50. Contribuições de até R$ 500 devem ser feitas usando o código PIX [email protected] Colaborações acima desse valor podem ser realizadas pelo site bit.ly/crieufscar. É possível contribuir por débito automático, transferência bancária ou boleto.

O resultado do Edital, elaborado pelo Comitê Gestor e aprovado em reunião do Conselho de Assuntos Comunitários e Estudantis (CoACE) da UFSCar, será divulgado no dia 12 de novembro, com pagamento via Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI) da Universidade. A correta aplicação dos recursos do Auxílio Inclusão e Acessibilidade será permanentemente acompanhada pela Instituição. A ação ainda conta com o trabalho da equipe da Coordenadoria de Inclusão e Direitos Humanos da Secretaria Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (SAADE).

EXEMPLO DE SOLIDARIEDADE
Em julho, todas as taxas de inscrição para a I Escola Solidária de Altos Estudos do Discurso (ESAED), promovida pela UFSCar, foram doadas para o CRIE, totalizando aproximadamente R$ 13 mil. “Com os sucessivos cortes de recursos, a situação financeira das universidades federais do país vem se agravando, se tornando praticamente insustentável, especialmente, no que concerne aos programas de permanência estudantil. Nosso gesto científico e solidário vai na direção de chamar a atenção de toda a comunidade para a gravíssima situação que milhares de nossos alunos estão passando”, disse Roberto Leiser Baronas, professor do Departamento de Letras da UFSCar e coordenador da iniciativa inédita.

BÔNUS
O Edital do Auxílio Inclusão e Acessibilidade traz ainda uma lista de ferramentas gratuitas de Tecnologia Assistiva, sistematizada pelo Centro Tecnológico de Acessibilidade do Instituto Federal do Rio Grande do Sul. A lista pode colaborar com estudantes com deficiência, mas também com professores durante o preparo da aula.

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