Questões do Enem sobre Aristóteles
Antes de mergulhar nas questões do ENEM relacionadas a Aristóteles, é crucial entender a essência de seu pensamento.
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Veja outros tópicos importantes sobre o tema:
- Metafísica de Aristóteles: como esse conceito cai no Enem
- Aristóteles e a política: como o tema aparece no Enem
- Ética de Aristóteles: como esse tema aparece no Enem
- A Política de Aristóteles
- Filósofo: Aristóteles
01) (Enem 2020) Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhe parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens.
ARISTÓTELES Política. Brasília: UnB,1988.
No fragmento, Aristóteles promove uma reflexão que associa dois elementos essenciais à discussão sobre a vida em comunidade, a saber:
a) Ética e política, pois conduzem à eudaimonia.
b) Retórica e linguagem, pois cuidam dos discursos na ágora.
c) Metafísica e ontologia, pois tratam da filosofia primeira.
d) Democracia e sociedade, pois se referem a relações sociais.
e) Geração e corrupção, pois abarcam o campo da physis.
02) (Enem PPL 2019) Vimos que o homem sem lei é injusto e o respeitador da lei é justo; evidentemente todos os atos legítimos são, em certo sentido, atos justos, porque os atos prescritos pela arte do legislador são legítimos e cada um deles é justo. Ora, nas disposições que tomam sobre todos os assuntos, as leis têm em mira a vantagem comum, quer de todos, quer dos melhores ou daqueles que detêm o poder ou algo desse gênero; de modo que, em certo sentido, chamamos justos aqueles atos que tendem a produzir e a preservar, para a sociedade política, a felicidade e os elementos que a compõem.
ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010 (adaptado).
De acordo com o texto de Aristóteles, o legislador deve agir conforme a
a) moral e a vida privada.
b) virtude e os interesses públicos.
c) utilidade e os critérios pragmáticos.
d) lógica e os princípios metafísicos.
e) razão e as verdades transcendentes.
03) (Enem PPL 2017) Dado que, dos hábitos racionais com os quais captamos a verdade, alguns são sempre verdadeiros, enquanto outros admitem o falso, como a opinião e o cálculo, enquanto o conhecimento científico e a intuição são sempre verdadeiros, e dado que nenhum outro gênero de conhecimento é mais exato que o conhecimento científico, exceto a intuição, e, por outro lado, os princípios são mais conhecidos que as demonstrações, e dado que todo conhecimento científico constitui-se de maneira argumentativa, não pode haver conhecimento científico dos princípios, e dado que não pode haver nada mais verdadeiro que o conhecimento científico, exceto a intuição, a intuição deve ter por objeto os princípios.
ARISTÓTELES. Segundos analíticos. In: REALE, G. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1994
Os princípios, base da epistemologia aristotélica, pertencem ao domínio do(a)
a) opinião, pois fazem parte da formação da pessoa
b) cálculo, pois são demonstrados por argumentos.
c) conhecimento científico, pois admitem provas empíricas.
d) intuição, pois ela é mais exata que o conhecimento científico.
e) prática de hábitos racionais, pois com ela se capta a verdade
04) (ENEM/2024)
TEXTO I
Aristóteles entendia que a felicidade era diretamente ligada ao respeito pela própria natureza e, de certa maneira, a uma vida que tivesse na natureza de si mesma uma referência inabalável. Isso lhe permitiu formular o conceito de excelência. O que seria excelência? Seria, justamente, ao longo da vida, tirar de si mesmo, em forma de performance, de conduta, de comportamento, de disposição, o que natureza permitiria de melhor.
COEN, M.; BARROS FILHO, C. A monja e o professor: reflexões sobre ética, preceitos e valores. Rio de Janeiro: Best Seller, 2018.
TEXTO II
A noção de eudaimonia é central para a ética aristotélica. A eudaimonia é uma atividade e não um estado psicológico, pois é definida na Ética a Nicômaco como uma atividade da alma com base na virtude moral. A virtude moral é definida em termos de uma disposição diretamente ligada à deliberação, o que leva a estudar a virtude intelectual que opera em seu interior, isto é, a prudência. A estrutura conceitual da ética aristotélica responde a uma tentativa de elucidar conceitualmente em que consiste isto, agir bem, ou, na linguagem aristotélica, o que significa ser feliz.
ZINGANO, M. Eudaimonia, razão e contemplação na ética aristotélica. Analytica, n. 1, 2017 (adaptado).
Os textos indicam que a prática de ações virtuosas, sempre efetivada na pólis, ocorre por meio do(a)
a) teoria das formas essenciais.
b) identificação dos princípios racionais.
c) desenvolvimento das técnicas retóricas.
d) aperfeiçoamento das condutas humanas.
e) conhecimento das epistemes verdadeiras.
05) (ENEM/2024)
TEXTO I
Aristóteles entendia que a felicidade era diretamente ligada ao respeito pela própria natureza e, de certa maneira, a uma vida que tivesse na natureza de si mesma uma referência inabalável. Isso lhe permitiu formular o conceito de excelência. O que seria excelência? Seria, justamente, ao longo da vida, tirar de si mesmo, em forma de performance, de conduta, de comportamento, de disposição, o que natureza permitiria de melhor.
COEN, M.; BARROS FILHO, C. A monja e o professor: reflexões sobre ética, preceitos e valores. Rio de Janeiro: Best Seller, 2018.
TEXTO II
A noção de eudaimonia é central para a ética aristotélica. A eudaimonia é uma atividade e não um estado psicológico, pois é definida na Ética a Nicômaco como uma atividade da alma com base na virtude moral. A virtude moral é definida em termos de uma disposição diretamente ligada à deliberação, o que leva a estudar a virtude intelectual que opera em seu interior, isto é, a prudência. A estrutura conceitual da ética aristotélica responde a uma tentativa de elucidar conceitualmente em que consiste isto, agir bem, ou, na linguagem aristotélica, o que significa ser feliz.
ZINGANO, M. Eudaimonia, razão e contemplação na ética aristotélica. Analytica, n. 1, 2017 (adaptado).
Os textos indicam que a prática de ações virtuosas, sempre efetivada na pólis, ocorre por meio do(a)
a) teoria das formas essenciais.
b) identificação dos princípios racionais.
c) desenvolvimento das técnicas retóricas.
d) aperfeiçoamento das condutas humanas.
e) conhecimento das epistemes verdadeiras.
Resolução das Questões sobre Aristóteles
01) É preciso pensar na relação entre a ética e a política no pensamento de Aristóteles. Para este filósofo clássico, a política está essencialmente vinculada à moral, pois a finalidade da vida coletiva e do Estado é a virtude, o que inclui a formação moral dos indivíduos e a gestão da vida coletiva a partir da criação dos meios para que a virtude seja possível, funcionando como um complemento da atividade moral individual. Com efeito, a ética é pensada como o fundamento moral do indivíduo, enquanto a política é pensada como o fundamento da moral coletiva.
Resp.: A
02) O legislador deve, segundo Aristóteles, agir em função do bem comum, perseguindo, portanto, o exercício da virtude.
Resp.: B
03) Aristóteles atribui, para as formas racionais de apreensão da realidade destacadas no texto – o cálculo, a opinião, o conhecimento científico e a intuição – uma hierarquização que classifica as duas últimas como sendo sempre verdadeiras. Dentre essas formas de conhecimento racional que somente admitem o que é verdadeiro, ele atribui, ainda, maior grau de exatidão à intuição, sendo essa, portanto, a única forma de conhecimento adequada para formular juízos acerca dos princípios.
Resp.: D
04) A alternativa correta é a d). Ambos os textos convergem para a ideia de que a eudaimonia (felicidade) na ética aristotélica é alcançada por meio do desenvolvimento das virtudes. Isso envolve a prática constante e o aperfeiçoamento das condutas humanas dentro da vida em sociedade. Excelência (ou areté) e prudência são aspectos centrais para que o indivíduo realize sua natureza da melhor forma possível, em uma vida ética e ativa na pólis.
a) Incorreta. A teoria das formas é característica da filosofia platônica, não da ética aristotélica, que valoriza a experiência prática e a virtude concreta.
b) Incorreta. A razão tem papel importante na ética aristotélica, mas o foco dos textos é na sua aplicação à ação virtuosa, não apenas na identificação de princípios abstratos.
c) Incorreta. As técnicas retóricas são tratadas em outras obras de Aristóteles, mas não são centrais na construção da eudaimonia, que envolve condutas morais e prudência, não persuasão.
e) Incorreta. O termo “episteme” refere-se ao conhecimento teórico ou científico. A eudaimonia, contudo, depende da prática ética, não apenas do conhecimento racional.
05) A alternativa correta é a d). Ambos os textos convergem para a ideia de que a eudaimonia (felicidade) na ética aristotélica é alcançada por meio do desenvolvimento das virtudes. Isso envolve a prática constante e o aperfeiçoamento das condutas humanas dentro da vida em sociedade. Excelência (ou areté) e prudência são aspectos centrais para que o indivíduo realize sua natureza da melhor forma possível, em uma vida ética e ativa na pólis.
a) Incorreta. A teoria das formas é característica da filosofia platônica, não da ética aristotélica, que valoriza a experiência prática e a virtude concreta.
b) Incorreta. A razão tem papel importante na ética aristotélica, mas o foco dos textos é na sua aplicação à ação virtuosa, não apenas na identificação de princípios abstratos.
c) Incorreta. As técnicas retóricas são tratadas em outras obras de Aristóteles, mas não são centrais na construção da eudaimonia, que envolve condutas morais e prudência, não persuasão.
e) Incorreta. O termo “episteme” refere-se ao conhecimento teórico ou científico. A eudaimonia, contudo, depende da prática ética, não apenas do conhecimento racional.

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