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Resumo de Sagarana - Minha Gente

Livro Sagarana: conto Minha Gente, de Guimarães Rosa


Enredo

O narrador-personagem, um moço, está de visita na fazenda do tio, empenhado em ganhar as eleições locais. O moço se apaixona por Maria Irma, sua prima, e lhe faz uma declaração, a qual ela não corresponde. Um dia, ela recebe a visita de Ramiro, noivo de outra moça, segundo ela diz, e o moço fica com ciúmes. Para atrair o amor de Maria Irma, ele finge namorar uma moça da fazenda vizinha. Porém, o plano falha - tendo como efeito secundário, não calculado, a vitória do tio nas eleições - e o moço deixa a fazenda. Na visita seguinte, Maria Irma apresenta-lhe Armanda. É amor à primeira vista; ele se casa com a moça, e Maria Irma, por sua vez, se casa com Ramiro Gouveia, "dos Gouveias de Brejaúba, no Todo-Fim-É-Bom".

 

Personagens

1. Narrador: Homem da cidade em passeio pelas fazendas dos tios, no interior de Minas Gerais. Gostava da prima Maria irma, mas casou-se com Armanda, filha de uma fazendeira.
2. Santana: Companheiro nas andanças do narrador, tem mania de jogar xadrez, mesmo quando estão andando a cavalo.
3. Tio Emílio:Tio do narrador; sofreu mudança radical depois que se meteu na política.
4. Maria Irma: Uma das filhas de Tio Emílio; no passado, o narrador e ela foram namorados de brincadeira. Tem cintura fina, olhos grandes, pretíssimos. Passou alguns anos no internato.
5. Armanda: Filha de fazendeiros; estudou no Rio de Janeiro. Terminou casada com o narrador
6. Bento Porfírio: Vaqueiro; gostava de pescar. Envolveu-se com uma prima casada (de-Loudes) e terminou assassinado a foice pelo marido enciumado (Alexandre).

 

Cenário

Fazenda Saco-do-Sumidouro (interior de Minas Gerais), do Tio Emílio, pai de Maria Irma.

 

Análise

O conto serve de pretexto para a documentação dos costumes e dos infortúnios da vida da roça. Estrutura-se como uma espécie de paródia, meio sentimental e meio irônica, das estórias de amor com final feliz.

Como numa novela, há várias intrigas, episódios e personagens secundários. Numa dessas intrigas, Bento Porfírio comete adultério com a de-Lourdes, casada com Alexandre, o Xandrão Cabaça, que acaba matando o rival. Há, de permeio, o episódio da eleição e da vitória de Emílio do Nascimento, tio do narrador-personagem, pelo partido João-de-Barro, e que serve de pretexto para a retratação das astúcias e intrigas da política interiorana de Minas. Outras personagens se entrecruzam: Santana, o inspetor de ensino e jogador de xadrez; José Malvino, guia e mateiro, conhecedor da natureza e dos costumes do sertão; o Moleque Nicanor, menino da fazenda e que, com oito anos, já sabe pegar, em campo aberto, qualquer montaria, sem cabresto nem milho, só com a esperteza de sua cor e tamanho. Surgem outras personagens como: Bilica, Agripino e tio Ludovico. A ação se passa no Saco-do-Sumidouro, entre fazendas e pesqueiros: o Pau-Preto, o Touno-Tombo, até as Três Barras.

Nesse conto, o narrador-personagem, que não se identifica nominalmente, impregna sua narrativa de forte dose de lirismo. Observe também os processos de (re)invenção de palavras: por aglutinação (milmalditas) e por justaposição (até-as-pedras-se-encontram).

Repare, também nas siglas C3BR (cavalo três bispos de rei), P4D (peão quatro de dama), (P)4BD (peão quatro bispo de dama) e P3CD (peão três cavalos da dama). Elas designam, de modo cifrado, os movimentos das peças ou sua posição no tabuleiro de xadrez.

 

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