Paraísos artificiais

Paraísos artificiais


Resumo paraísos artificiais


Paraísos Artificiais - Paulo Henriques Britto

     O Resumo de Paraísos Artificiais de Paulo Henriques Britto (poeta, professor e tradutor brasileiro) foi reunido pela VestibulandoWeb e comentado pelo Prof. Manoel Neves. Estreou como poeta em 1982, com Liturgia da matéria, a que se seguiu Mínima Lírica (1989), Trovar Claro (1997), com o qual recebeu o Prêmio Alphonsus de Guimarães, da Fundação da Biblioteca Nacional, e Macau (2003), com o qual recebeu o prêmio Portugal Telecom de literatura brasileira.

O livro Paraísos artificiais, de Paulo Henriques Britto, publicado em 2004, título poético, por remeter aos Paraísos artificiais (escritos sobre o ópio, o haxixe e o vinho) de Charles Baudelaire, reúne nove contos, a maior parte escrita nos anos 70 e reescrita ao longo das últimas décadas. Mais recentemente, lançou Tarde, seu novo livro de poemas.

A obra é resultado de obsessão e, também, depuração. Britto diz ter escrito cerca de 30 contos durante o ano e meio (entre 1972 e 73) que passou em San Francisco, na Califórnia, estudando cinema. Quando relidos, mais tarde, quase todos foram jogados fora. Os restantes começaram a ser burilados.

Paulo Henriques Britto se afirma como criador de um universo próprio, feito de uma prosa límpida que, parecendo coloquial e transparente, não perde tempo ao capturar e expor seus objetos nos contos de "Paraísos artificiais", seu livro de estréia na ficção. Seja qual for o cenário - a cidade grande, o estrangeiro ou a provinciana São Dimas -, os relatos deste volume capturam sempre situações extremas - que podem ser uma doença sem nome ou um mero ônibus errado - e encontros embaraçosos - quase sempre do protagonista consigo mesmo. Os pretextos podem ser mínimos, até mesmo banais, mas os impasses que logo se criam não têm nada de trivial. Em contos desde já antológicos, como "Uma visita", "Um criminoso" e "O primo", a mão firme de Britto conduz seus heróis e narradores a visões nuas e dolorosas de si mesmos - mais alheios, mais tortuosos, mais covardes do que gostariam de ser.

Um dos pontos fortes de Paraísos Artificiais é o domínio da linguagem. Um ponto que chama bastante atenção são os diálogos, setor em que a ficção brasileira tem tradicionalmente grande dificuldade em sair do artifício. Britto se mostra aqui exímio seguidor de Nelson Rodrigues e dos prosadores norte-americanos que traduz regularmente, para quem fazer diálogo verossímil é coisa corriqueira. As pessoas em Paraísos Artificiais falam como estamos acostumados a ouvir em casa, na rua ou nas telenovelas nacionais, mas ainda pouco na ficção. No entanto, a voz do narrador não é menos competente. Utilizando, em geral, a primeira pessoa, o narrador tem uma linguagem simples e elegante, que serve a um discurso cheio de subentendidos, que seria machadiano se fosse ácido, mas é brittiano porque sereno e compassivo. Na prática, é uma mistura de tradicional malícia carioca com sagacidade britânica, e tendo como pano de fundo uma vasta cultura erudita e popular, devidamente disfarçada.


Possíveis Influências Literárias

Charles Baudelaire: O livro de Britto tem o mesmo título de uma coletânea de ensaios do escritor francês Baudelaire e remete às satisfações momentâneas que os homens buscam para fugir da mediocridade existencial.

Samuel Beckett: A influência de Beckett se faz notar pelas temáticas de imobilidade, da solidão e pelo teatro do absurdo de algumas situações.

Franz Kafka: O clima absurdo que perpassa contos como “O 921” é nitidamente kafkiano. Note-se, ainda, o clima sufocante dos contos, as consequências inesperadas e absurdas e o próprio absurdo da existência.


Outras características da obra

• Contos solipsistas: vida ou conjunto dos hábitos de um indivíduo solitário
• A escrita dos narradores como saída para a inércia
• A convivência nitidamente desconfortável entre as personagens
• Vários personagens dos contos recorrem ao ato da escrita para encontrar seus supostos “paraísos artificiais
• Diálogos verossímeis e prosaicos, através do uso da coloquialidade, aliada a presença constante da ironia e da auto-crítica
• Os contos são repletos de tensão narrativa, mas o clímax muitas vezes não se encontra no final, já que os desfechos são frequentemente prosaicos e propositalmente frustrantes: cabe ao leitor, muitas vezes, “completar” o final das narrativas
• Os finais sempre ficam em aberto, pois não há uma solução definida e definitiva para os conflitos, tramas e obsessões das personagens expostos nas narrativas
• A narração em 1ª pessoa, presente em 8 dos 9 contos do livro, auxilia esse caráter parcial, limitado e incompleto dos textos, que propositalmente “frusta” as expectativas do leitor. Esse “jogo” com o interlocutor é característico da literatura contemporânea, que questiona as verdades totalizantes e a definição clara e exata da realidade.
• Situações kafkianas: as personagens encontram-se em situações desesperadoras ou inquietantes, ficam perturbadas pela falta de motivos aparentes para elas e não possuem saída ou escape. Fazem questionamentos e cogitações sem, no entanto, chegarem a conclusão alguma.

Segue um estudo de cada um dos contos do livro Paraísos Articificiais. Cabe lembrar que o primeiro conto recebe o nome do livro, Paraísos Artificiais.

» Paraísos Artificiais
» Uma doença
» Uma visita
» Um criminoso
» O companheiro de quarto
» Coisa de família
» O 921
» O Primo
» Os Sonetos Negros

 

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